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O que é o UroLift e como funciona: guia completo do tratamento minimamente invasivo para HPB

Introdução

Se você convive com sintomas de próstata aumentada — jato fraco, vontade frequente de urinar, despertar várias vezes durante a noite — provavelmente já ouviu falar de medicamentos e da clássica "raspagem da próstata". O que muitos pacientes ainda não sabem é que existe um tratamento intermediário entre o remédio e a cirurgia tradicional: o UroLift, uma técnica minimamente invasiva que trata a hiperplasia benigna da próstata (HPB) sem cortes, sem raspagens e, na maioria dos casos, sem comprometer a função sexual.

Este guia explica em profundidade o que é o UroLift, como o procedimento funciona, quem pode se beneficiar dele e o que os principais estudos clínicos demonstram sobre sua eficácia e segurança.

O que é o UroLift?

O UroLift é um sistema de tratamento da hiperplasia benigna da próstata baseado na colocação de pequenos implantes permanentes dentro da próstata. Esses implantes funcionam como "grampos" que afastam mecanicamente os lobos prostáticos aumentados, abrindo a uretra obstruída e permitindo que a urina flua normalmente.

Tecnicamente, o procedimento é chamado de Prostatic Urethral Lift (PUL), ou elevação uretral prostática. Foi aprovado pelo FDA (agência reguladora norte-americana) em 2013, recebeu autorização da ANVISA no Brasil e é hoje recomendado pelas principais diretrizes urológicas internacionais, incluindo as da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU), como opção de tratamento minimamente invasivo para pacientes selecionados com HPB sintomática.

A grande diferença em relação a outras técnicas é que o UroLift não remove, corta, aquece nem destrói tecido prostático. Ele apenas reposiciona o tecido obstrutivo, mantendo a anatomia da próstata preservada.

O problema que o UroLift resolve: entendendo a HPB

Para entender por que o UroLift funciona, é importante revisar o que acontece na próstata aumentada.

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz que envolve a uretra — o canal por onde a urina sai da bexiga. A partir dos 40-50 anos, é comum que ela cresça de forma benigna, comprimindo a uretra e dificultando a passagem da urina. Essa condição, chamada de hiperplasia benigna da próstata, afeta cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos e mais de 80% dos homens acima dos 70.

Sintomas da HPB

Os sintomas urinários do trato inferior (LUTS) associados à HPB incluem:

  • Jato urinário fraco ou interrompido
  • Dificuldade para iniciar a micção (hesitação)
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
  • Urgência miccional
  • Aumento da frequência urinária durante o dia
  • Noctúria (acordar várias vezes para urinar)
  • Em casos avançados, retenção urinária aguda

Tratamentos tradicionais e suas limitações

O tratamento da HPB tradicionalmente seguia uma escada: primeiro medicamentos (alfa-bloqueadores como tansulosina, inibidores da 5-alfa-redutase como finasterida) e, quando estes falhavam ou causavam efeitos colaterais inaceitáveis, partia-se para a cirurgia — geralmente a ressecção transuretral da próstata (RTU), considerada o padrão-ouro há décadas.

O problema é que existe um abismo entre essas duas opções. Os medicamentos exigem uso contínuo, podem causar tontura, hipotensão e, no caso da finasterida, disfunção erétil e diminuição da libido. Já a RTU, apesar de eficaz, é uma cirurgia que exige internação, anestesia, sondagem vesical prolongada e tem uma taxa significativa de ejaculação retrógrada (sêmen que vai para a bexiga em vez de ser ejaculado) — que pode chegar a 65-75% dos pacientes operados.

O UroLift surgiu justamente para preencher esse intervalo: oferecer alívio durável dos sintomas com mínimo impacto sexual e recuperação rápida.

Como o UroLift funciona: o mecanismo dos implantes

O princípio do UroLift é puramente mecânico. Em vez de remover o tecido prostático que obstrui a uretra, o procedimento "amarra" esse tecido para os lados, criando um canal aberto para a passagem da urina.

Os componentes do implante

Cada implante UroLift é formado por três peças minúsculas:

  1. Uma âncora de nitinol (liga metálica de níquel e titânio, biocompatível e com memória de forma), que é fixada na cápsula externa da próstata.
  2. Uma sutura permanente de polietileno, que conecta as duas pontas do implante.
  3. Um suporte de aço inoxidável cirúrgico, posicionado na superfície interna da uretra.

Esses materiais são os mesmos utilizados em diversos dispositivos médicos implantáveis há décadas, com excelente perfil de segurança e biocompatibilidade comprovada.

O princípio mecânico

Imagine cortinas pesadas obstruindo uma janela. Em vez de cortar ou queimar o tecido das cortinas, o UroLift funciona como prendedores que puxam essas cortinas para os lados, mantendo a janela aberta de forma permanente. Os implantes comprimem os lobos laterais da próstata contra a cápsula prostática, liberando a luz uretral imediatamente.

O número de implantes utilizados varia conforme a anatomia de cada paciente, mas em média são colocados de 4 a 6 implantes por procedimento.

Como é feito o procedimento: passo a passo

O UroLift é tipicamente realizado em regime ambulatorial ou hospital-dia, com alta no mesmo dia. A anestesia pode ser local com sedação, raquidiana ou geral leve — dependendo da preferência do paciente, do urologista e do anestesista.

O passo a passo do procedimento:

  1. O paciente é posicionado e anestesiado conforme o plano definido.
  2. O urologista introduz o dispositivo aplicador (semelhante a um cistoscópio) pela uretra até a região da próstata.
  3. Sob visualização endoscópica direta, identifica-se o ponto ideal para cada implante.
  4. O dispositivo dispara o implante, que atravessa o lobo prostático, fixa a âncora externa na cápsula e traciona o tecido, abrindo a uretra.
  5. O processo é repetido até obter a abertura uretral desejada — geralmente 4 a 6 implantes no total.
  6. O aplicador é retirado, e o procedimento é finalizado.

O tempo médio do procedimento é de 30 a 60 minutos. Em muitos casos, o paciente sai sem sonda vesical, embora alguns urologistas optem por manter uma sonda por 24-48 horas em situações específicas.

Quem é candidato ao UroLift?

O UroLift não é indicado para todos os pacientes com HPB. A seleção criteriosa é o que determina os bons resultados.

Indicações

São considerados bons candidatos os homens que apresentam:

  • Idade a partir de 45 anos com sintomas moderados a severos de HPB (IPSS ≥ 8)
  • Volume prostático tipicamente entre 30 e 60 cm³ (algumas referências aceitam até 100 cm³ em casos selecionados)
  • Falha, intolerância ou desejo de evitar medicamentos para HPB
  • Forte interesse em preservar a função sexual e ejaculatória
  • Pacientes com risco anestésico elevado que se beneficiam de uma técnica menos invasiva
  • Desejo de retorno rápido às atividades habituais

A aprovação ampliada do dispositivo (a partir das versões mais recentes) também inclui pacientes com obstrução por lobo médio prostático, que antes era considerada contraindicação relativa.

Contraindicações

Não são candidatos ideais ao UroLift:

  • Pacientes com câncer de próstata ativo ou suspeito (sem investigação prévia)
  • Infecção urinária ativa
  • Próstatas muito volumosas (acima de 100 cm³ em geral)
  • Divertículos vesicais grandes ou cálculos vesicais não tratados
  • Estenose uretral significativa
  • Bexiga neurogênica como causa primária dos sintomas

A avaliação pré-operatória inclui exame físico, PSA, uroflu​xometria, ultrassom com medida de resíduo pós-miccional e, em muitos casos, cistoscopia para definir a anatomia prostática.

Quais as vantagens do UroLift sobre outros tratamentos?

Em comparação com a RTU e outras técnicas cirúrgicas tradicionais, o UroLift oferece vantagens documentadas:

Preservação da função sexual e ejaculatória. Esta é a vantagem mais marcante. Os estudos clínicos não demonstraram casos de ejaculação retrógrada de novo nem disfunção erétil atribuível ao procedimento — algo raríssimo entre tratamentos cirúrgicos para HPB.

Recuperação rápida. A maioria dos pacientes retorna às atividades normais em 2 a 5 dias.

Sem necessidade de sonda prolongada. Em muitos casos, o paciente sai do hospital sem cateter vesical.

Anestesia menos agressiva. Possibilita realização sob sedação ou anestesia local em pacientes selecionados.

Reversibilidade técnica. Como nenhum tecido é destruído, futuros tratamentos (incluindo RTU ou enucleação a laser) permanecem viáveis se necessário.

Início rápido do efeito. A melhora dos sintomas costuma ser percebida nas primeiras duas semanas.

A principal limitação é que o UroLift não é adequado para próstatas muito grandes, e a taxa de retratamento ao longo de 5 anos é ligeiramente superior à da RTU — fator que deve ser discutido individualmente com cada paciente.

O que esperar da recuperação

A recuperação após o UroLift costuma ser tranquila. Nos primeiros dias, é comum sentir:

  • Ardência leve ao urinar
  • Pequena quantidade de sangue na urina
  • Urgência miccional transitória
  • Desconforto perineal leve

Esses sintomas geralmente resolvem em 2 a 4 semanas. A maioria dos pacientes retoma o trabalho em poucos dias, e a atividade sexual costuma ser liberada após 1 a 2 semanas, conforme orientação individualizada.

Resultados clínicos: o que os estudos mostram

A base de evidências do UroLift é robusta. Dois estudos são especialmente relevantes:

Estudo LIFT

O estudo LIFT (Luminal Improvement Following Prostatic Tissue Approximation) é um ensaio clínico randomizado que acompanhou pacientes submetidos ao UroLift por 5 anos. Os principais achados:

  • Melhora significativa e durável do IPSS (escore internacional de sintomas prostáticos), mantida ao longo dos 5 anos de seguimento
  • Aumento expressivo do fluxo urinário máximo (Qmax)
  • Melhora na qualidade de vida e em escores de função sexual
  • Taxa de retratamento cirúrgico ao redor de 13-14% em 5 anos
  • Nenhum caso de ejaculação retrógrada atribuída ao procedimento

Estudo BPH6

O BPH6 comparou diretamente o UroLift com a RTU em parâmetros como recuperação, sintomas, qualidade de vida, segurança, função erétil e função ejaculatória. O UroLift foi superior em recuperação e preservação ejaculatória, enquanto a RTU foi superior na magnitude do alívio dos sintomas miccionais — confirmando que cada técnica tem seu espaço.

Esses dados sustentam a posição atual das diretrizes: o UroLift é uma opção de primeira linha para pacientes selecionados que priorizam recuperação rápida e preservação sexual.

Riscos e efeitos colaterais

Como todo procedimento médico, o UroLift apresenta riscos, embora a maioria seja leve e transitória. Entre os efeitos relatados:

  • Hematúria (sangue na urina) leve e autolimitada
  • Disúria (ardência ao urinar) nas primeiras semanas
  • Urgência miccional transitória
  • Infecção urinária (rara)
  • Retenção urinária aguda transitória (incomum)
  • Necessidade futura de retratamento, em uma minoria dos pacientes

Complicações graves são raras e bem inferiores às associadas a procedimentos cirúrgicos tradicionais.

Perguntas frequentes sobre o UroLift

O UroLift dói? O procedimento é realizado sob anestesia, portanto não há dor durante a execução. No pós-operatório, a maioria dos pacientes relata apenas desconforto leve, controlado com analgésicos simples.

Os implantes precisam ser retirados algum dia? Não. Os implantes são permanentes e projetados para permanecer na próstata por toda a vida do paciente, sem necessidade de remoção.

O UroLift afeta o exame de PSA? Não há alteração significativa do PSA atribuída ao procedimento. O acompanhamento de rotina do PSA pode ser mantido normalmente.

Posso fazer ressonância magnética com os implantes? Sim. Os implantes UroLift são considerados compatíveis com ressonância magnética (MR-conditional) em equipamentos de até 3 Tesla, dentro dos parâmetros especificados pelo fabricante.

Em quanto tempo sinto melhora? A maioria dos pacientes percebe melhora significativa do jato urinário e da frequência miccional já nas primeiras duas semanas após o procedimento.

O UroLift é coberto por convênios? A cobertura varia conforme o plano de saúde e o rol da ANS vigente. Recomenda-se consultar o convênio diretamente ou solicitar avaliação ao consultório.

Posso ter relações sexuais normalmente após o UroLift? Sim. O procedimento foi desenhado especificamente para preservar a função erétil e ejaculatória. A atividade sexual costuma ser liberada após 1 a 2 semanas.

Conclusão: o UroLift é para você?

O UroLift representa um avanço importante no tratamento da HPB, oferecendo uma opção minimamente invasiva, com recuperação rápida e preservação da função sexual — características especialmente valorizadas por homens ativos que buscam alívio dos sintomas urinários sem abrir mão da qualidade de vida.

Como toda decisão médica, a escolha pelo UroLift deve ser individualizada. Fatores como volume prostático, presença de lobo médio, expectativa de durabilidade dos resultados, prioridade em preservar a ejaculação e perfil de risco anestésico precisam ser ponderados em conjunto com o urologista.

Se você apresenta sintomas urinários relacionados ao aumento da próstata e quer entender se é candidato ao UroLift, agende uma avaliação. Um plano de tratamento personalizado começa com um diagnóstico preciso.

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Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato · Urologista · CRM-SP 146.210 · RQE 61.330

Especialista em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e Título de Especialista reconhecido pela Associação Médica Brasileira (AMB), o Dr. Alexandre dedica sua prática à urologia minimamente invasiva, com foco especial no tratamento da hiperplasia benigna da próstata(HPB) e na preservação da função sexual masculina.

Formado pela Santa Casa de São Paulo, concluiu residência médica em Urologia na mesma instituição e aprofundou-se nas técnicas minimamente invasivas para próstata através de [training/fellowship/proctoring específicos — ex: "treinamento oficial no sistema UroLift", "proctoring internacional com referências da técnica".

Ao longo de 12 anos de prática, já realizou mais de 1000 procedimentos urológicos, sendo referência em São Paulo/SP no tratamento minimamente invasivo da próstata aumentada. É membro ativo da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da European Association of Urology (EAU) / American Urological Association (AUA) — incluir as que se aplicam, mantendo-se atualizado com as melhores práticas mundiais por meio de participação regular em congressos e publicações científicas.

Sua filosofia de atendimento é simples: informar com clareza, decidir em conjunto e tratar com a técnica certa para cada paciente — nunca a mesma para todos. Acredita que o homem moderno merece opções que tratem os sintomas urinários sem comprometer sua vida sexual, sua rotina e sua autonomia.


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

A Begin Clinic é uma clínica especializada em tratamentos de reprodução assistida na cidade de São Paulo - SP. Também atendemos pacientes de outras cidades e estados em todo Brasil e exterior, que buscam por tratamentos de excelência, com médicos especialistas em congelamento de óvulos.


Saiba mais sobre Dr. Alexandre Sato.

CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6551764447584301

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