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Função sexual e ejaculação após Rezum: o que os estudos realmente mostram

Introdução

Para muitos homens com hiperplasia benigna da próstata (HPB), a decisão sobre qual procedimento escolher gira em torno de uma preocupação que poucas vezes é verbalizada com clareza na consulta: "vou continuar com a mesma vida sexual depois?" A pergunta é absolutamente legítima — décadas de relatos sobre os efeitos colaterais sexuais das cirurgias prostáticas tradicionais, em especial a temida ejaculação retrógrada, tornaram esse tema uma preocupação central para o paciente moderno.

O Rezum foi desenvolvido  tendo essa preservação como um dos seus pilares de design. Este artigo explica, com base em anatomia e em estudos clínicos, por que o Rezum preserva a função sexual e ejaculatória, como ele se compara a outras técnicas nesse aspecto e o que o paciente pode realmente esperar da sua vida sexual após o procedimento.

Por que a preservação sexual virou prioridade no tratamento da próstata

Durante décadas, a discussão sobre tratamento da HPB foi centrada em eficácia urinária: jato, frequência, urgência, noctúria. A função sexual era tratada como detalhe secundário — "efeito colateral aceitável" da resolução dos sintomas miccionais.

As gerações atuais de pacientes mudaram essa equação. Homens entre 50 e 70 anos hoje têm vida sexual ativa, expectativas reais sobre essa dimensão da sua existência e direito de ser informados antes de aceitar uma sequela permanente. A literatura clínica documenta com clareza o impacto psicológico, relacional e de autoestima associado à ejaculação retrógrada — embora não cause prejuízo físico direto, gera frustração, sensação de perda, alterações de autoimagem e até disfunções secundárias em uma parcela dos pacientes.

Esse novo perfil de paciente — informado, sexualmente ativo, com expectativa de vida longa e qualidade de vida elevada — foi o motor por trás do desenvolvimento de técnicas como o Rezum.

A anatomia da ejaculação: o que precisa ser preservado

Para entender por que o Rezum preserva a ejaculação enquanto a RTU e o HoLEP a comprometem na maioria dos pacientes, é necessário revisar rapidamente a anatomia.

A ejaculação anterógrada (normal) depende de dois eventos coordenados:

Primeiro: a emissão. O sêmen é depositado na uretra prostática a partir dos vasos deferentes, das vesículas seminais e da próstata, sob controle simpático.

Segundo: a expulsão. O colo vesical se fecha (impedindo o sêmen de subir para a bexiga), enquanto a musculatura pélvica e o esfíncter uretral externo coordenam contrações que propelem o sêmen para fora pela uretra peniana.

A região crítica desse processo é o colo vesical e a uretra prostática proximal, onde residem os receptores alfa-adrenérgicos e as fibras musculares responsáveis pelo fechamento durante o ato ejaculatório. Qualquer técnica que destrua, queime, remova ou seccione essa região comprometerá o fechamento do colo — e o sêmen seguirá pelo caminho de menor resistência, que passa a ser a bexiga.

Esse é o mecanismo da ejaculação retrógrada: o sêmen é produzido normalmente, o orgasmo acontece normalmente, mas o sêmen vai para dentro em vez de fora.

Por que a RTU e o HoLEP causam ejaculação retrógrada

A RTU e o HoLEP têm um princípio comum: remover o tecido prostático obstrutivo. Para fazer isso eficientemente, é praticamente inevitável que o procedimento inclua o colo vesical e a próstata proximal — a chamada "loja prostática" precisa ser alargada nessa região para garantir bom fluxo urinário.

O preço dessa eficácia é a perda funcional do colo vesical. Após a remoção do tecido, o colo perde sua capacidade de se fechar adequadamente durante a ejaculação, e o sêmen segue para a bexiga.

A taxa de ejaculação retrógrada após RTU varia entre 65 e 75%. Após HoLEP, entre 70 e 80%. Esses números são bem documentados na literatura e devem ser discutidos abertamente com o paciente antes da escolha do procedimento.

Por que o Rezum preserva a função ejaculatória

Aqui está o diferencial central do Rezum: o procedimento foi desenvolvido para tratar seletivamente os lobos prostáticos obstrutivos, preservando ao máximo o colo vesical e as estruturas adjacentes responsáveis pelo reflexo ejaculatório.

O vapor de água é aplicado em pontos específicos calculados para causar necrose apenas do tecido alvo, sem ultrapassar as barreiras anatômicas naturais que delimitam a região do colo. Os receptores alfa-adrenérgicos do colo permanecem em sua maioria intactos, a musculatura periuretral continua funcional, e o reflexo de fechamento durante a ejaculação é preservado em grande parte dos pacientes.

Essa não é uma vantagem casual — é um princípio de design da técnica. O Rezum foi desenvolvido especificamente para tratar a HPB sintomática com mínima interferência sobre a função sexual, e a anatomia do procedimento reflete essa intenção.

O que dizem os estudos clínicos sobre Rezum e função sexual

A base de evidências é consistente e robusta.

Estudos pivotais com seguimento de 5 anos

Os estudos clínicos pivotais multicêntricos randomizados do Rezum acompanharam pacientes por até 5 anos, medindo função sexual com escalas validadas internacionalmente — o MSHQ-EjD (Male Sexual Health Questionnaire — Ejaculatory Domain) para função ejaculatória e o IIEF (International Index of Erectile Function) para função erétil. Entre os achados:

Taxa baixa de ejaculação retrógrada de novo — entre 3% e 5% nos diferentes estudos publicados. Em outras palavras, 95% a 97% dos pacientes mantêm a ejaculação anterógrada após o procedimento.

Sem aumento significativo de disfunção erétil de novo atribuída ao procedimento. Pacientes com função erétil normal antes do Rezum mantêm essa função após o procedimento.

Manutenção dos escores de satisfação sexual ao longo dos 5 anos de seguimento. Em alguns subgrupos, observou-se inclusive melhora — provavelmente reflexo da resolução dos sintomas urinários incômodos e da possibilidade de suspender medicações com efeitos sexuais.

Preservação da função orgásmica — o orgasmo é uma resposta neurológica complexa, separada do mecanismo ejaculatório propriamente dito. Os estudos não documentam alteração significativa.

Comparação indireta com RTU e HoLEP

Embora estudos head-to-head específicos entre Rezum e RTU em função sexual sejam menos frequentes, a comparação indireta com a literatura clássica da RTU é eloquente:

Técnica Ejaculação retrógrada de novo Disfunção erétil de novo
Rezum 3-5% Mínima
RTU 65-75% 5-10%
HoLEP 70-80% <5%
UroLift Praticamente nula Não relatada
Embolização Baixa Mínima

 

Esses números explicam por que pacientes que valorizam preservação ejaculatória inclinam fortemente para Rezum ou UroLift em vez de RTU/HoLEP.

Função erétil vs função ejaculatória: duas coisas diferentes

Vale a pena pausar aqui para esclarecer um ponto que confunde muitos pacientes.

A função erétil depende de fatores vasculares, neurológicos e hormonais — basicamente, da capacidade dos corpos cavernosos do pênis de se encherem de sangue. Os procedimentos para HPB, em geral, não causam disfunção erétil diretamente, exceto pela prostatectomia radical (cirurgia para câncer de próstata), que envolve retirada da próstata inteira e potencial lesão dos nervos cavernosos — operação completamente diferente.

A função ejaculatória depende, como vimos, da integridade do colo vesical e da musculatura periuretral. Esta sim é afetada pela maioria das cirurgias de HPB que removem tecido prostático na região do colo.

Portanto, é importante separar as duas perguntas:

"Vou continuar tendo ereção depois?" — para o Rezum (e para a maioria das técnicas de HPB), sim.

"Vou continuar ejaculando normalmente?" — aqui está a grande diferença. Rezum e UroLift preservam; HoLEP e RTU comprometem na maioria dos pacientes.

O efeito indireto positivo: melhora geral da vida sexual

Há outro fenômeno interessante documentado em pacientes pós-Rezum: muitos relatam melhora global da vida sexual, não apenas preservação. Por quê?

A HPB sintomática afeta a vida sexual de várias formas que vão além da função em si:

Noctúria interrompe o sono profundo, reduzindo libido, energia e disposição diurna.

Urgência miccional durante o ato sexual gera ansiedade de desempenho.

Dor pélvica crônica associada à HPB pode reduzir prazer.

Uso prolongado de alfa-bloqueadores (tansulosina, silodosina) pode causar diminuição do volume ejaculado e até ejaculação retrógrada química.

Uso prolongado de finasterida ou dutasterida pode causar diminuição da libido, disfunção erétil e fadiga em uma parcela dos pacientes.

Quando o Rezum trata a HPB sem causar danos sexuais e ainda possibilita a suspensão dos medicamentos com efeitos colaterais sexuais, muitos pacientes vivenciam uma melhora líquida significativa da vida sexual após o procedimento — efeito secundário positivo que vai além da simples preservação.

Quem mais se beneficia da preservação ejaculatória do Rezum

O perfil de paciente que valoriza especialmente esse aspecto inclui:

Homens jovens com HPB precoce. Pacientes entre 45 e 60 anos com sintomas significativos, vida sexual ativa e expectativa de décadas de atividade sexual pela frente.

Pacientes em uso de finasterida ou dutasterida que já experimentaram efeitos colaterais sexuais com a medicação e não querem somar mais sequelas.

Pacientes em uso de tansulosina com diminuição do volume ejaculado incômoda, que querem reverter esse efeito.

Homens em novos relacionamentos ou em fase de redescoberta da vida sexual após divórcio ou viuvez.

Pacientes com fertilidade ativa. Embora menos comum na faixa etária típica da HPB, alguns homens ainda planejam ter filhos por reprodução natural. A ejaculação retrógrada compromete significativamente a fertilidade.

Pacientes para quem a sexualidade é parte central da identidade e da autoestima — o que inclui a grande maioria dos homens adultos saudáveis.

Cronologia da retomada sexual após o Rezum

Para quem está se preparando para o procedimento, vale conhecer o cronograma típico:

Período com sonda (3-7 dias): atividade sexual suspensa.

Após a retirada da sonda + 1-2 semanas: ainda em fase de adaptação miccional. Atividade sexual não recomendada.

Semanas 2-4 após o procedimento: liberação da atividade sexual, conforme avaliação individualizada. Tipicamente em torno de 2-4 semanas é o tempo recomendado.

Mês 2-3: atividade sexual plenamente retomada, com ereção, orgasmo e ejaculação preservados na ampla maioria.

Mês 3-6: consolidação do resultado urinário, frequentemente com suspensão dos medicamentos prévios. Muitos pacientes relatam melhora notável da vida sexual nesta fase.

Mitos comuns sobre Rezum e função sexual

"Toda cirurgia de próstata causa impotência." Mito. A prostatectomia radical (para câncer) pode causar disfunção erétil pelo dano aos nervos cavernosos, mas os procedimentos para HPB (incluindo Rezum) preservam bem a função erétil na ampla maioria dos casos.

"Ejaculação retrógrada é a mesma coisa que impotência." Mito. São condições completamente diferentes. Na ejaculação retrógrada, a ereção e o orgasmo permanecem normais — apenas o sêmen segue para a bexiga em vez de sair pelo pênis.

"O Rezum afeta o orgasmo." Mito. O orgasmo é uma resposta neurológica complexa, distinta da ejaculação propriamente dita. O Rezum não interfere nessa resposta.

"O sêmen na bexiga é perigoso ou prejudicial." Mito. O sêmen na bexiga é simplesmente excretado na próxima micção, sem prejuízo à saúde. O incômodo é estético e funcional (especialmente para fertilidade), não clínico.

"Se o Rezum não destrói tecido como a RTU, deve ser menos eficaz." Parcialmente verdade, parcialmente mito. Sim, o Rezum entrega magnitude de alívio menor que a RTU (redução de IPSS de ~50-60% vs ~70-75%), mas dentro de uma faixa absolutamente aceitável para a maioria dos pacientes — em troca de preservação significativa de qualidade de vida sexual.

"Sentir que o sêmen ficou menor já significa ejaculação retrógrada." Mito (parcialmente). Em alguns pacientes pode haver redução pequena do volume ejaculado após o Rezum, sem que isso constitua ejaculação retrógrada verdadeira. Avaliação clínica diferencia.

"O Rezum pode causar disfunção sexual permanente meses depois." Mito. Os estudos com 5 anos de seguimento não mostram surgimento tardio de disfunção sexual atribuída ao procedimento. Casos de disfunção em pacientes pós-Rezum costumam ter outras causas (envelhecimento natural, comorbidades, medicações).

Perguntas frequentes

O Rezum causa ejaculação retrógrada?
Em uma pequena minoria dos pacientes — entre 3% e 5% nos estudos. A ampla maioria (95-97%) mantém a ejaculação anterógrada preservada.

Posso ter relações sexuais normalmente após o Rezum?
Sim. Após o período inicial de recuperação (2 a 4 semanas), a vida sexual costuma ser retomada normalmente, com ereção, orgasmo e ejaculação preservados.

Quanto tempo após o Rezum posso voltar a ter relações?
Tipicamente entre 2 e 4 semanas após a retirada da sonda, conforme orientação individualizada do urologista.

O Rezum afeta a libido?
Não diretamente. O procedimento não interfere em níveis hormonais nem em mecanismos neurológicos do desejo. Muitos pacientes relatam melhora indireta da libido pela melhora do sono (resolução da noctúria) e pela possibilidade de suspender medicamentos como a finasterida.

O Rezum pode até melhorar minha vida sexual?
Em muitos casos, sim — pela melhora dos sintomas urinários que interferem na sexualidade, pela redução da necessidade de medicamentos para HPB com efeitos sexuais colaterais, e pelo impacto psicológico positivo da resolução do problema.

Existe chance de ter ejaculação retrógrada permanente após o Rezum?
Em uma minoria pequena (3-5%) dos pacientes, sim. Quando ocorre, costuma ser persistente. Não há técnica eficaz para reverter ejaculação retrógrada estabelecida.

E se eu já estiver com ejaculação retrógrada pela tansulosina, o Rezum reverte?
Frequentemente sim. Após o Rezum bem-sucedido e suspensão da tansulosina, muitos pacientes recuperam a ejaculação anterógrada que estava sendo comprometida pela medicação.

Quem pode garantir que o Rezum vai preservar a minha função sexual?
Nenhum procedimento médico oferece garantia absoluta individual, mas a literatura clínica é consistente: a preservação sexual após Rezum é muito alta, com taxas de complicação sexual entre as mais baixas dentre as opções para HPB. O urologista deve discutir transparentemente as expectativas com base no seu perfil específico.

O Rezum compromete a fertilidade?
Como preserva a ejaculação anterógrada na ampla maioria, a fertilidade natural costuma ser preservada. Pacientes em planejamento ativo de fertilidade devem discutir individualmente.

Vou conseguir parar a finasterida depois do Rezum?
Frequentemente sim, sob orientação do urologista, geralmente após 3-6 meses do procedimento. Para muitos pacientes, essa suspensão é acompanhada de recuperação dos efeitos sexuais que a finasterida causava (libido, ereção, volume ejaculado).

Posso fazer Rezum se já tenho disfunção erétil prévia?
Sim. O Rezum não vai agravar disfunção pré-existente, mas também não vai tratá-la. Disfunção erétil tem manejo próprio (fosfodiesterases, terapias específicas). Os dois temas são separados.

O Rezum afeta o tamanho ou aparência do pênis?
Não. O procedimento atua apenas dentro da próstata, sem qualquer interferência com a anatomia peniana externa.

E o orgasmo — fica diferente?
A sensação orgásmica é preservada na ampla maioria dos pacientes. Algumas pessoas podem perceber pequenas variações no padrão orgásmico nos primeiros meses, mas isso costuma se normalizar.

Conclusão: tratar a próstata sem renunciar à vida sexual

A medicina urológica moderna evoluiu para reconhecer que a próstata aumentada não pode mais ser tratada às custas da função sexual. O homem que envelhece hoje quer — e tem direito a — opções que respeitem todas as dimensões da sua saúde, incluindo a íntima.

O Rezum representa uma das respostas mais concretas a essa demanda. Ao optar por uma filosofia de necrose seletiva com preservação anatômica, ele permite tratar a HPB sintomática mantendo intactas as estruturas responsáveis pela função sexual masculina. Os dados de 5 anos dos estudos pivotais confirmam que essa preservação é durável — não apenas uma promessa pré-operatória.

Se a preservação ejaculatória é um critério importante na sua decisão sobre o tratamento da próstata, leve essa informação para a próxima conversa com seu urologista. Você não precisa escolher entre urinar bem e ter uma vida sexual plena — as duas coisas podem coexistir, e o Rezum é uma das melhores ferramentas disponíveis para que isso aconteça.


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Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato · Urologista · CRM-SP 146.210 · RQE 61.330

Especialista em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o Dr. Alexandre Sato atua nas três grandes áreas da urologia moderna: tratamento da próstata aumentada (HPB), urologia oncológica e cirurgia robótica.

Dedica sua prática à urologia minimamente invasiva, com foco especial no tratamento da hiperplasia prostática benigna e na preservação da função sexual masculina. Mantém-se atualizado com as melhores práticas mundiais por meio de participação regular em congressos e publicações científicas.

Sua filosofia de atendimento: informar com clareza, decidir em conjunto e tratar com a técnica certa para cada paciente — nunca a mesma para todos.

 


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

A Begin Clinic é uma clínica especializada em tratamentos de reprodução assistida na cidade de São Paulo - SP. Também atendemos pacientes de outras cidades e estados em todo Brasil e exterior, que buscam por tratamentos de excelência, com médicos especialistas em congelamento de óvulos.


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CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
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