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Próstata acima de 80g, 100g ou 150g: por que o HoLEP é a cirurgia indicada para próstatas grandes

Introdução

Descobrir no ultrassom ou na ressonância que a próstata pesa 80, 100 ou até 150 gramas costuma assustar o paciente — e, infelizmente, também confunde muitos urologistas. Isso porque, para próstatas de grande volume, as técnicas tradicionais como a RTU de próstata (ressecção transuretral) e até mesmo a prostatectomia aberta (adenomectomia a céu aberto) apresentam limitações importantes: maior sangramento, internação prolongada, necessidade de transfusão e recuperação lenta.

Nas últimas duas décadas, o HoLEP — Holmium Laser Enucleation of the Prostate — consolidou-se internacionalmente como o tratamento cirúrgico de escolha para a hiperplasia benigna da próstata (HPB), especialmente em próstatas acima de 80 gramas. As diretrizes da American Urological Association (AUA 2023), da European Association of Urology (EAU 2024) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) classificam o HoLEP como "size-independent", ou seja, seguro e eficaz independentemente do tamanho da próstata.

Neste artigo, explico em linguagem clara o que muda quando a próstata é grande, por que o HoLEP supera as demais técnicas neste cenário e quais resultados você pode esperar.


O que significa "próstata grande"? Entenda os limites de volume

A próstata normal de um homem adulto pesa entre 20 e 30 gramas. A partir dos 50 anos, o crescimento benigno (HPB) é fisiológico, mas em alguns pacientes ele é desproporcional. Classifica-se o volume da seguinte forma:

  • Pequeno volume: até 40g
  • Volume moderado: 40 a 80g
  • Grande volume: 80 a 150g
  • Muito grande volume (gigante): acima de 150g — alguns casos ultrapassam 300g

Quanto maior a próstata, maior a obstrução do fluxo urinário e maior a chance de complicações como retenção urinária aguda, cálculos vesicais, divertículos de bexiga, infecções de repetição e insuficiência renal pós-renal.

Por que a RTU de próstata falha em próstatas grandes

A RTU (ressecção transuretral) foi, por décadas, o tratamento padrão para HPB. Porém, suas limitações aparecem a partir de 60–80 gramas:

  • Tempo cirúrgico longo: acima de 90 minutos eleva o risco da chamada síndrome da RTU (intoxicação hídrica por absorção da solução de irrigação).
  • Sangramento significativo, especialmente em próstatas vascularizadas.
  • Ressecção incompleta: pesquisas mostram que apenas 30–50% do adenoma é removido em próstatas volumosas, aumentando a chance de re-operação em 10 anos.
  • Maior necessidade de hemotransfusão.

Em diretrizes internacionais, a RTU monopolar é desaconselhada para próstatas acima de 80g.

Por que a cirurgia aberta (adenomectomia) foi substituída

A prostatectomia aberta suprapúbica ou retropúbica (técnica de Millin ou Freyer) ainda é realizada em muitos hospitais brasileiros para próstatas grandes. Ela resolve a obstrução, porém envolve:

  • Incisão abdominal de 10 a 15 cm
  • Sondagem vesical prolongada (7 a 14 dias)
  • Internação de 4 a 7 dias
  • Risco de transfusão sanguínea em até 20% dos casos
  • Retorno ao trabalho em 30 a 45 dias
  • Cicatriz definitiva

Com o advento do HoLEP, essa cirurgia perdeu espaço em centros de referência. Estudos randomizados (Kuntz et al., Gilling et al., Elmansy et al.) mostram que o HoLEP oferece o mesmo resultado funcional da cirurgia aberta, com muito menos morbidade.


O que é HoLEP e por que ele é diferente

HoLEP é a sigla para Holmium Laser Enucleation of the Prostate — enucleação da próstata com laser de hólmio. A técnica foi desenvolvida pelo urologista neozelandês Peter Gilling no final dos anos 1990 e reproduz endoscopicamente o que o cirurgião faz na cirurgia aberta: remove todo o adenoma (a parte doente) preservando a cápsula prostática.

Em outras palavras: é a cirurgia aberta feita por dentro da uretra, sem corte.

Como funciona a técnica

  1. Acesso transuretral: o cirurgião introduz o endoscópio pela uretra — sem incisões externas.
  2. Enucleação com laser de holmium: o laser descola o adenoma do seu plano anatômico, como se "descascasse uma laranja".
  3. Morcelamento: o tecido removido é levado até a bexiga e fragmentado por um morcelador mecânico, sendo aspirado para análise anatomopatológica.
  4. Sondagem mínima: a sonda vesical fica, em média, 24 horas.

Por que o laser de holmium é ideal para próstatas grandes

O comprimento de onda do holmium (2.100 nm) é absorvido pela água, gerando coagulação precisa e corte efetivo ao mesmo tempo. Isso permite:

  • Hemostasia excelente → menos sangramento, mesmo em próstatas acima de 150g
  • Remoção de 90–95% do adenoma, independentemente do volume
  • Ausência de síndrome de RTU, pois usa soro fisiológico como irrigante
  • Segurança em pacientes anticoagulados (uso de AAS, clopidogrel, varfarina, rivaroxabana)

Evidências científicas: o que dizem os grandes centros

Os principais serviços do mundo que consolidaram o HoLEP como padrão-ouro incluem:

  • Mayo Clinic (EUA) — grupo do Dr. Amy Krambeck, uma das maiores referências mundiais em HoLEP de alto volume.
  • Indiana University — berço científico do Dr. James Lingeman, pioneiro da enucleação endoscópica nos EUA.
  • University of Western Sydney e Tauranga (Nova Zelândia) — grupo original de Peter Gilling.
  • Charité – Berlim (Alemanha) — Prof. Thorsten Bach e Prof. Andreas Gross.
  • King's College Hospital (Reino Unido) — grupo do Prof. Gordon Muir.

Metanálises publicadas no European Urology, Journal of Urology e BJUI demonstram, em próstatas acima de 100g:

  • Redução de sangramento em até 70% comparado à RTU e à cirurgia aberta
  • Tempo de internação médio de 1 dia (vs. 5 dias da cirurgia aberta)
  • Taxa de re-operação em 10 anos inferior a 1% — a mais baixa entre todas as técnicas
  • Melhora do fluxo urinário (Qmax) de 3× a 4× o valor pré-operatório
  • Preservação da função erétil em mais de 95% dos casos

Benefícios do HoLEP em próstatas de 80g, 100g e 150g.

Resumindo as vantagens práticas para o paciente:

  • Sem cortes externos — procedimento 100% endoscópico
  • Internação de 24 a 48 horas
  • Sonda vesical por apenas 1 dia, em média
  • Retorno ao trabalho em 7 a 14 dias (vs. 30–45 dias da cirurgia aberta)
  • Seguro para pacientes cardiopatas, diabéticos e em uso de anticoagulantes
  • Análise patológica completa do adenoma removido — fundamental para descartar câncer de próstata incidental
  • Resultado funcional duradouro — a maioria dos pacientes nunca mais precisa operar a próstata
  • Independe do tamanho — o HoLEP resolve de próstatas de 80g até gigantes acima de 300g

Quem pode fazer HoLEP?

São candidatos ideais pacientes com:

  • Sintomas urinários do trato inferior (LUTS) moderados a graves — jato fraco, noctúria, urgência, esvaziamento incompleto
  • Retenção urinária aguda com falha de desmame de sonda
  • Hematúria de origem prostática recorrente
  • Cálculos vesicais secundários à obstrução
  • Próstatas acima de 80g onde RTU e enucleação bipolar têm limitações
  • Pacientes anticoagulados que não podem suspender medicação
  • Pacientes que rejeitam cirurgia aberta e desejam recuperação rápida

E o câncer de próstata? O HoLEP atrapalha o diagnóstico?

Pelo contrário: o HoLEP é a técnica que mais amostra tecido prostático para análise, pois remove todo o adenoma. Estima-se que em 5 a 10% dos pacientes operados por HPB seja encontrado um câncer incidental, geralmente de baixo risco (ISUP 1). Esse achado é muito mais frequente no HoLEP do que na RTU, justamente porque há mais material para o patologista avaliar. Em casos selecionados, pacientes podem evitar prostatectomia radical e permanecer em vigilância ativa.


Perguntas Frequentes 

  1. O HoLEP serve para qualquer tamanho de próstata? Sim. Diferentemente da RTU, o HoLEP é considerado size-independent e pode ser realizado em próstatas de 40g até mais de 300g com a mesma segurança e eficácia.
  2. HoLEP causa impotência sexual? Não. A função erétil é preservada em mais de 95% dos pacientes. A ejaculação retrógrada, porém, é comum (cerca de 70%), por ser consequência anatômica da retirada do adenoma.
  3. Quanto tempo dura a cirurgia de HoLEP em próstatas grandes? Varia conforme o volume: em próstatas de 80g, cerca de 60 minutos; em 150g, entre 90 e 120 minutos, a depender da experiência do cirurgião.
  4. HoLEP é coberto por convênio médico? Não, o HOLEP ainda não está no ROL na ANS para cobertura das operadoras de saúde.
  5. Quanto tempo de recuperação após HoLEP? O paciente recebe alta em 24–48h, retira a sonda em 1 dia, retorna a atividades leves em 7 dias e atividades plenas em 14–21 dias.
  6. HoLEP é melhor que a cirurgia robótica (prostatectomia simples robótica)? Para HPB, o HoLEP apresenta menor sangramento, menor tempo de internação e custo mais baixo que a prostatectomia simples robótica, com resultados funcionais equivalentes ou superiores.

Conclusão

O HoLEP não é uma "moda" nem apenas mais uma opção: é a técnica mais bem validada cientificamente para o tratamento da HPB de grande volume. Em mãos experientes, ele substitui com vantagem a RTU e a cirurgia aberta, devolvendo qualidade de vida com mínima agressão cirúrgica. Se sua próstata pesa mais de 80 gramas e você recebeu a indicação de cirurgia, vale procurar um urologista treinado em HoLEP antes de aceitar uma abordagem aberta.


 

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Se você tem próstata acima de 80g, está em uso prolongado de medicamentos como tansulosina, dutasterida ou finasterida, passou por retenção urinária ou recebeu indicação de cirurgia aberta — você pode ter uma opção menos invasiva e mais definitiva.

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Sobre o autor — Dr. Alexandre Sato

Dr. Alexandre Sato é urologista com atuação dedicada ao tratamento cirúrgico da hiperplasia prostática benigna e do câncer de próstata. Especialista em HoLEP (Enucleação Prostática com Laser de Holmium), realiza o procedimento em próstatas de todos os tamanhos — incluindo casos complexos acima de 150 gramas, em pacientes anticoagulados e portadores de comorbidades cardiovasculares.

Formado e titulado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mantém atualização constante com os principais centros internacionais de referência em cirurgia prostática minimamente invasiva, seguindo as diretrizes da AUA (American Urological Association) e EAU (European Association of Urology).

Sua prática é construída sobre três pilares: diagnóstico preciso, indicação criteriosa e técnica cirúrgica de excelência, com foco em restaurar de forma definitiva a qualidade de vida urinária e sexual do paciente.

 


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

A Begin Clinic é uma clínica especializada em tratamentos de reprodução assistida na cidade de São Paulo - SP. Também atendemos pacientes de outras cidades e estados em todo Brasil e exterior, que buscam por tratamentos de excelência, com médicos especialistas em congelamento de óvulos.


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