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Mitos e verdades sobre o Rezum: 12 dúvidas que todo paciente faz

Introdução

Quando um paciente começa a pesquisar sobre o Rezum, encontra uma quantidade enorme de informações na internet — algumas precisas, outras imprecisas, várias contraditórias. Vapor de água a 103°C tratando a próstata? Procedimento sem cortes? Sonda por uma semana? É natural surgirem dúvidas e desinformações.

Neste artigo, classifico 12 das afirmações mais comuns sobre o Rezum como mito, verdade ou verdade parcial, com a explicação clínica por trás de cada veredito. O objetivo é simples: ajudar você a separar o sinal do ruído e tomar decisões com base em evidência, não em rumores.

1. "O Rezum é um tratamento experimental"

Mito.

O Rezum foi aprovado pelo FDA (agência reguladora norte-americana) em 2015, conta com aprovação da ANVISA no Brasil, está incluído nas diretrizes oficiais da American Urological Association (AUA) e da European Association of Urology (EAU) como opção de tratamento minimamente invasivo para HPB sintomática, e tem estudos clínicos randomizados com seguimento de 5 anos publicados em revistas médicas de alto impacto.

Longe de ser experimental, é hoje considerado uma das opções de primeira linha para o tratamento minimamente invasivo da próstata aumentada em pacientes selecionados, com perfil de segurança e eficácia bem estabelecidos.

2. "Vou precisar fazer Rezum de novo em poucos anos"

Mito (com nuance).

A taxa de retratamento após o Rezum, conforme os estudos pivotais, é de aproximadamente 4 a 5% em 5 anos. Em números práticos: cerca de 95% dos pacientes não precisam de novo procedimento nesse período.

É verdade que essa taxa é ligeiramente maior do que a da RTU clássica (<5% em 10 anos) ou do HoLEP (<2-3% em 10 anos). Mas é significativamente menor do que a taxa de retratamento do UroLift (~13-14% em 5 anos). Em outras palavras: dentro do espectro de técnicas minimamente invasivas, o Rezum oferece excelente durabilidade.

Quando há necessidade de retratamento, opções incluem novo Rezum, RTU, HoLEP ou outras técnicas — o Rezum não fecha portas para tratamentos futuros.

3. "O Rezum dói muito"

Mito.

Durante o procedimento, você está sob anestesia (local com sedação, raquidiana ou geral leve), portanto não sente dor. No pós-operatório, o desconforto é tipicamente leve a moderado, controlado com analgésicos comuns como paracetamol e dipirona.

Os sintomas mais relatados são desconforto leve ao urinar (após a retirada da sonda), urgência miccional transitória e sensação de plenitude pélvica leve nos primeiros dias. Dor intensa não é esperada e, quando ocorre, geralmente indica complicação a ser avaliada.

Comparado com cirurgias clássicas como RTU e HoLEP, o Rezum tem perfil de dor pós-operatória inferior, com menor uso de analgésicos opióides nas séries de casos publicadas.

4. "Não posso fazer Rezum se uso anticoagulante"

Mito.

Pelo contrário: o Rezum é, frequentemente, uma das melhores opções para pacientes anticoagulados. Seu perfil de sangramento mínimo (graças ao efeito hemostático intrínseco do vapor) e a possibilidade de anestesia local com sedação o tornam adequado para pacientes em uso de varfarina, rivaroxabana, apixabana, dabigatrana, AAS e até dupla antiagregação em casos selecionados.

O manejo é sempre individualizado, em colaboração com o cardiologista — em muitos casos, o anticoagulante pode ser mantido durante o procedimento ou suspenso por janela curta de 24-48h, evitando o risco trombótico associado a suspensões prolongadas exigidas por outras técnicas.

5. "O Rezum causa impotência"

Mito.

A função erétil é preservada na ampla maioria dos casos. Os estudos clínicos não demonstram aumento significativo de disfunção erétil de novo após o Rezum.

A confusão sobre esse tema vem do imaginário coletivo que associa qualquer "cirurgia de próstata" à impotência — algo que faz sentido para a prostatectomia radical (cirurgia para câncer, que pode lesar os nervos cavernosos), mas não se aplica aos procedimentos para HPB como o Rezum.

6. "O Rezum causa ejaculação retrógrada em todos os pacientes"

Mito.

Os estudos pivotais demonstram taxa de ejaculação retrógrada de novo após Rezum em torno de 3 a 5%. Ou seja, na ampla maioria dos pacientes — entre 95% e 97% —, a ejaculação anterógrada é preservada.

Isso é radicalmente diferente da RTU (65-75% de ejaculação retrógrada) e do HoLEP (70-80%). O Rezum se posiciona, junto com o UroLift, entre as melhores opções para quem prioriza a preservação ejaculatória.

A razão é técnica: o Rezum trata seletivamente os lobos prostáticos obstrutivos, preservando em grande parte o colo vesical — região responsável pelo fechamento durante a ejaculação.

7. "Não dá pra tratar lobo médio com Rezum"

Mito.

Esse era um problema da geração inicial do UroLift (que não tratava bem lobo médio), mas nunca foi limitação do Rezum. O Rezum trata bem tanto lobos laterais quanto lobo médio prostático, sendo uma das suas vantagens técnicas frente à versão antiga do UroLift.

Para pacientes com obstrução por lobo médio significativo — anatomia comum em homens com HPB sintomática —, o Rezum costuma ser uma excelente opção.

8. "Preciso de internação hospitalar para fazer Rezum"

Mito.

O Rezum é um procedimento ambulatorial. A duração média é de 15 a 30 minutos, e o paciente recebe alta no mesmo dia, voltando para casa após algumas horas de observação pós-anestésica.

Em casos selecionados de pacientes muito frágeis ou com comorbidades complexas, pode-se optar por internação breve de observação — mas isso é exceção, não regra. Para a ampla maioria dos pacientes, o procedimento começa e termina no mesmo dia, sem necessidade de internação.

9. "O Rezum só serve para próstatas grandes"

Mito.

O Rezum tem indicação ideal para próstatas entre 30 e 80 cm³ — ou seja, próstatas pequenas a moderadas, não grandes. Para próstatas muito grandes (acima de 80-100 cm³), outras técnicas como HoLEP, embolização prostática ou prostatectomia simples oferecem melhor relação risco-benefício.

A confusão pode surgir porque alguns pacientes acham que "minimamente invasivo" só funciona em casos simples. Não é o caso: o Rezum tem indicação anatômica específica, definida pelo volume e pela configuração da próstata, e em muitos casos é a escolha preferencial mesmo para próstatas com lobo médio obstrutivo significativo.

10. "Vou ficar dependente de sonda vesical para sempre"

Mito.

A sonda do Rezum é temporária, mantida por 3 a 7 dias apenas. Após sua retirada (feita no consultório em poucos minutos), a maioria dos pacientes urina espontaneamente.

A confusão com "dependência permanente" pode vir de pacientes que já tinham sonda crônica antes do Rezum (por descompensação vesical avançada). Para esses pacientes, o Rezum frequentemente representa a libertação da sonda permanente — não o oposto. Pacientes idosos que viviam com sonda há meses ou anos podem voltar a urinar espontaneamente após o procedimento.

11. "Posso parar a tansulosina já no dia seguinte ao Rezum"

Mito.

A melhora dos sintomas após o Rezum é progressiva ao longo de 3 a 6 meses, conforme a próstata reduz de volume na área tratada. Por isso, a tansulosina (ou outros alfa-bloqueadores) costuma ser mantida nas primeiras semanas a meses, ajudando a controlar sintomas durante a fase de transição.

A suspensão dos medicamentos é feita progressivamente, sob orientação do urologista, geralmente após avaliação no consultório nos primeiros 3 meses pós-procedimento. Muitos pacientes conseguem suspender os medicamentos completamente após o Rezum bem-sucedido — mas isso acontece em meses, não em dias.

12. "O Rezum eleva o PSA permanentemente"

Mito.

Após o Rezum, pode haver elevação transitória do PSA nas primeiras semanas, decorrente da inflamação local causada pelo procedimento. Esse é um padrão esperado e bem documentado.

Após esse período inicial, o PSA tende a reduzir progressivamente, refletindo a diminuição do volume prostático tratado pela reabsorção biológica. A maioria dos pacientes apresenta valores estáveis ou inferiores aos pré-procedimento após 3-6 meses.

Por isso, o acompanhamento de PSA deve aguardar pelo menos 6 a 8 semanas após o procedimento para refletir valores comparáveis. A vigilância para câncer de próstata permanece factível e válida ao longo do tempo.


Verdades sobre o Rezum que vale a pena reforçar

Para equilibrar, vejamos cinco afirmações que são verdadeiras e que devem ser bem compreendidas antes de optar pelo procedimento:

Verdade 1: "A melhora do Rezum é progressiva, não imediata"

Sim. Diferente do UroLift (que age mecanicamente e libera o canal urinário no instante da colocação), o Rezum depende da reabsorção biológica do tecido necrosado. Os primeiros sinais de melhora aparecem em 3 a 6 semanas, e o efeito pleno se consolida em 3 a 6 meses. Pacientes que esperam alívio rápido podem ficar frustrados se não forem bem preparados sobre essa cronologia.

Verdade 2: "Você precisa de sonda vesical por 3 a 7 dias"

Sim. Esse é o aspecto mais discutido do pós-operatório. A sonda é necessária para evitar retenção urinária aguda pelo edema inflamatório que ocorre nos primeiros dias após o tratamento. Em geral, é bem tolerada com cuidados adequados, mas exige planejamento prático (logística doméstica, afastamento do trabalho presencial).

Verdade 3: "A magnitude do alívio sintomático é intermediária"

Sim. O Rezum reduz o IPSS (escore de sintomas) em torno de 50-60% — alívio expressivo, mas inferior à magnitude obtida com RTU (~70-75%) ou HoLEP (~75-80%). Para a maioria dos pacientes, esse alívio é mais do que suficiente para transformar a qualidade de vida. Mas pacientes com expectativa de "voltar a urinar como aos 25 anos" precisam ajustar expectativas.

Verdade 4: "Você pode sentir desconforto miccional nas primeiras semanas"

Sim. Após a retirada da sonda, é comum experimentar urgência, frequência aumentada, leve ardência e variações no jato urinário durante as primeiras 2-4 semanas. Esses sintomas refletem a inflamação local em resolução e cedem progressivamente. Hidratação adequada ajuda muito.

Verdade 5: "A cobertura por planos de saúde no Brasil ainda é variável"

Sim. O Rezum ainda não tem cobertura. A disponibilidade varia conforme o plano e a indicação clínica. Muitos pacientes ainda realizam o procedimento em regime particular ou via reembolso. Vale verificar com seu convênio antes de tomar a decisão final.


Por que tantos mitos circulam sobre o Rezum?

Alguns fatores explicam a quantidade de informação imprecisa que cerca o tema:

Novidade relativa. Embora aprovado há mais de uma década, o Rezum ainda é menos familiar ao público brasileiro do que técnicas tradicionais como a RTU. Falta de exposição midiática gera espaço para mitos.

Mecanismo aparentemente "inusual". "Vapor de água a 103°C tratando a próstata" soa estranho para muitos pacientes, que podem confundir com queimadura ou outros conceitos imprecisos. A explicação técnica detalhada esclarece esse imaginário.

Confusão com cirurgia oncológica. Como vimos, muitos mitos sobre função sexual vêm da confusão entre procedimentos para HPB e cirurgias para câncer.

Generalização a partir de relatos isolados. Relatos em fóruns e redes sociais ganham peso desproporcional, sem o filtro de evidência científica.

Conteúdo médico desatualizado. Alguns sites e até alguns profissionais mantêm informações sobre o Rezum baseadas em dados de 5-10 anos atrás, sem incorporar a literatura recente.

A solução é simples: buscar informação em fontes médicas qualificadas, dialogar com urologistas experientes na técnica e questionar afirmações categóricas ("Rezum não funciona", "todo mundo tem ejaculação retrógrada", "é experimental") que ignoram os dados disponíveis.

Perguntas frequentes adicionais

O Rezum é seguro? Sim. É um procedimento com perfil de segurança muito bem documentado em mais de uma década de uso clínico e em estudos com seguimento de 5 anos. Complicações graves são raras.

O Rezum afeta o orgasmo? Não. O orgasmo é uma resposta neurológica preservada após o procedimento. O que pode mudar (em uma minoria pequena, 3-5%) é a ejaculação anterógrada — o orgasmo continua acontecendo normalmente.

Os efeitos colaterais do Rezum são permanentes? Não. Os efeitos colaterais transitórios (disúria, urgência, ardência) resolvem em poucas semanas. Efeitos permanentes adversos não são documentados na literatura.

Posso fazer Rezum se tenho diabetes? Sim. Diabéticos bem controlados são candidatos normais. Diabéticos descompensados devem otimizar o controle glicêmico antes do procedimento.

E se eu tiver câncer de próstata coincidente? O Rezum trata apenas a HPB. Câncer de próstata exige tratamento próprio e separado. Por isso a importância de descartar câncer (PSA, ressonância, biópsia se necessário) antes de qualquer procedimento para HPB.

O Rezum afeta a fertilidade? Como preserva a ejaculação anterógrada na ampla maioria, a fertilidade natural costuma ser preservada. Pacientes em fase ativa de planejamento familiar devem discutir individualmente.

Posso voar de avião após o Rezum? Geralmente sim, após 7 a 10 dias para viagens curtas. Para viagens longas internacionais, recomenda-se aguardar 2-3 semanas e atenção ao risco de trombose em voos prolongados.

Posso fazer Rezum mais de uma vez? Sim. Em casos de retratamento, novo Rezum é uma opção viável, assim como migrar para outra técnica (RTU, HoLEP).

Conclusão: informação de qualidade é a base da decisão

A quantidade de mitos e desinformação que cerca o Rezum reflete um problema mais amplo: a saúde da próstata permanece um tema cercado de tabus, medos e meias-verdades. Para tomar uma decisão informada, o paciente moderno precisa de acesso a informação confiável, baseada em evidência e explicada em linguagem acessível.

O Rezum não é solução universal — como nenhuma técnica médica é —, mas é uma opção moderna, segura, eficaz e respaldada por evidências sólidas. Suas vantagens (mínima invasividade, preservação sexual, recuperação rápida, segurança em pacientes complexos) e suas limitações (sonda por alguns dias, melhora progressiva, magnitude intermediária do alívio) precisam ser entendidas e ponderadas em conjunto com o seu urologista.

Reconhecer o que é mito e o que é verdade é o primeiro passo. O segundo é levar essas informações para uma consulta onde o seu caso específico — sua anatomia, suas comorbidades, suas prioridades pessoais — seja analisado com profundidade. A melhor decisão é sempre a personalizada, não a baseada em afirmações genéricas da internet.


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Se você ainda tem dúvidas — ou se identificou nesses mitos crenças que andou ouvindo —, vale a pena conversar com um urologista que conhece o Rezum na prática. Cada caso pede uma resposta individualizada.

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  • Análise completa dos seus sintomas e exames atuais
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Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato · Urologista · CRM-SP 146.210 · RQE 61.330

Especialista em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o Dr. Alexandre Sato atua nas três grandes áreas da urologia moderna: tratamento da próstata aumentada (HPB), urologia oncológica e cirurgia robótica.

Dedica sua prática à urologia minimamente invasiva, com foco especial no tratamento da hiperplasia prostática benigna e na preservação da função sexual masculina. Mantém-se atualizado com as melhores práticas mundiais por meio de participação regular em congressos e publicações científicas.

Sua filosofia de atendimento: informar com clareza, decidir em conjunto e tratar com a técnica certa para cada paciente — nunca a mesma para todos.

 


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

A Begin Clinic é uma clínica especializada em tratamentos de reprodução assistida na cidade de São Paulo - SP. Também atendemos pacientes de outras cidades e estados em todo Brasil e exterior, que buscam por tratamentos de excelência, com médicos especialistas em congelamento de óvulos.


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CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
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