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Ejaculação retrógrada e projeto de paternidade: o que fazer antes da cirurgia (congelamento) e recuperação de espermatozoides depois

Introdução 

Cenário clínico cada vez mais frequente: homem em idade reprodutiva (35-55 anos) com HPB sintomática que exige tratamento cirúrgico, mas que ainda tem projeto de paternidade — seja porque adiou paternidade, tem novo relacionamento, deseja mais filhos, ou está em processo de reprodução assistida.

O problema técnico: a maioria das cirurgias de HPB causa ejaculação retrógrada em taxas altas (RTU, HoLEP, RASP: 65-90%; Rezum e UroLift preservam mais). Ejaculação retrógrada não é impotência sexual — orgasmo é preservado, ereção é preservada — mas o sêmen vai para bexiga em vez de sair pelo pênis. Para função reprodutiva por via natural, isso é impedimento significativo.

A boa notícia: fertilidade masculina após cirurgia de próstata é preservável e recuperável com estratégia adequada. Duas frentes técnicas:

Frente 1 — Antes da cirurgia: criopreservação de sêmen (congelamento de espermatozoides), estratégia simples, barata e definitiva.

Frente 2 — Depois da cirurgia: recuperação de espermatozoides por diferentes técnicas (do sêmen pós-orgasmo na urina alcalinizada ou por procedimentos cirúrgicos), viabilizando reprodução assistida.

Este artigo aborda com rigor técnico como estruturar preservação da fertilidade em homem que vai fazer cirurgia de HBP. Se você (ou seu companheiro) está nessa situação, este material apresenta perspectiva realista e prática do que fazer.

Por que ejaculação retrógrada acontece após cirurgia de próstata

Compreender o mecanismo ajuda a entender por que técnicas diferentes têm impactos diferentes:

Anatomia da ejaculação normal:

  • Espermatozoides produzidos nos testículos passam pelo epidídimo → vaso deferente → ampola deferencial → ducto ejaculatório;
  • Ducto ejaculatório atravessa a próstata e desemboca na uretra prostática (verumontanum);
  • Durante o orgasmo, colo vesical se contrai (fechando comunicação com bexiga), e a musculatura periuretral empurra sêmen para fora pela uretra;
  • Ejaculação anterógrada = sêmen sai pelo meato uretral.

O que acontece na cirurgia de próstata:

  • Cirurgias que removem ou destroem tecido prostático próximo ao colo vesical (RTU, HoLEP, RASP, prostatectomia simples) eliminam a anatomia do colo vesical funcional;
  • Sem colo vesical funcional, durante orgasmo o sêmen segue caminho de menor resistênciaretrocede para bexiga (ejaculação retrógrada);
  • Sensação de orgasmo permanece intacta (é neurológica, não hidráulica);
  • Ereção permanece intacta (feixes neurovasculares laterais à próstata preservados).

Percentuais aproximados de ejaculação retrógrada por técnica:

  • RTU convencional: 65-75%;
  • HoLEP: 70-90%;
  • RASP (prostatectomia simples robótica): 80-90%;
  • Cirurgia aberta: 80-90%;
  • GreenLight PVP: 60-80%;
  • Rezum: 5-15% (preserva na maioria);
  • UroLift: <5% (preservação quase total é diferencial da técnica);
  • iTind: <10% (preservação alta);
  • Embolização prostática: <10% (preservação alta).

Perceba: técnicas minimamente invasivas específicas (Rezum, UroLift, iTind, embolização) preservam ejaculação anterógrada na maioria dos casos. Técnicas desobstrutivas maiores (RTU, HoLEP, RASP) causam ejaculação retrógrada como norma.

Ejaculação retrógrada e fertilidade — o impacto real

Vale distinguir com precisão:

Ejaculação retrógrada NÃO afeta:

  • Ereção;
  • Libido;
  • Sensação de orgasmo;
  • Frequência de atividade sexual;
  • Satisfação sexual em geral.

Ejaculação retrógrada AFETA:

  • Sensação física da ejaculação (paciente sente orgasmo mas nada sai — "orgasmo seco");
  • Fertilidade por via natural — espermatozoides não chegam ao trato feminino;
  • Possível impacto psicológico (sentimento de "algo faltando");
  • Em alguns homens, componente emocional relevante.

Impacto na fertilidade natural: praticamente incompatível com concepção espontânea. Sem sêmen no trato feminino, não há fertilização natural.

Impacto na fertilidade assistida: fertilidade permanece preservada se espermatozoides forem recuperados. Espermatozoides continuam sendo produzidos normalmente pelos testículos — apenas o transporte final foi alterado.

A estratégia ideal: preservação antes + recuperação depois se necessário

Abordagem estruturada para homem em idade reprodutiva que vai fazer cirurgia de próstata:

Passo 1 — Discussão explícita do projeto reprodutivo

Antes de qualquer decisão cirúrgica, discussão detalhada:

  • Tem filhos? Quer ter mais?
  • Está em novo relacionamento? Nova parceira quer engravidar?
  • Está em processo de reprodução assistida?
  • Qual o horizonte de tempo do projeto reprodutivo?

Essa conversa frequentemente é subvalorizada ou nem acontece. É responsabilidade médica introduzir o tema explicitamente.

Passo 2 — Considerar técnica cirúrgica que preserva ejaculação anterógrada

Se projeto reprodutivo é ativo e imediato, priorizar técnicas com preservação:

  • UroLift (preservação praticamente total);
  • Rezum (preservação alta);
  • iTind (preservação alta);
  • Embolização prostática (preservação alta).

Trade-offs: essas técnicas tratam próstatas de tamanho limitado e têm eficácia desobstrutiva menor que HoLEP/RTU. Em próstata grande ou sintomas muito severos, pode não ser opção adequada tecnicamente.

Passo 3 — Se técnica sem preservação for necessária, criopreservação PRÉ-op

Se HoLEP, RTU, RASP ou cirurgia aberta forem tecnicamente necessárias:

  • Criopreservação de sêmen ANTES da cirurgia é padrão-ouro;
  • Simples, barata, definitiva.

Passo 4 — Se cirurgia foi feita sem preservação prévia, recuperação PÓS-op

Se paciente não fez criopreservação e agora tem ejaculação retrógrada com projeto reprodutivo:

  • Diferentes técnicas de recuperação de espermatozoides são possíveis;
  • Reprodução assistida viabiliza gravidez.

Criopreservação de sêmen antes da cirurgia — como funciona

A opção mais simples, barata e definitiva para preservar fertilidade.

Como é feito:

Etapa 1 — Encaminhamento a banco de sêmen / clínica de reprodução assistida:

  • Múltiplas clínicas em grandes centros brasileiros oferecem serviço;
  • Encaminhamento pelo urologista ou diretamente pelo paciente.

Etapa 2 — Coleta:

  • Abstinência sexual de 3-5 dias antes da coleta (otimiza qualidade do sêmen);
  • Coleta em sala privativa da clínica, por masturbação, em frasco estéril;
  • Alternativa: coleta domiciliar com transporte rápido (protocolo específico).

Etapa 3 — Análise seminal:

  • Espermograma — contagem, motilidade, morfologia;
  • Se contagem/motilidade baixas, podem ser necessárias múltiplas coletas.

Etapa 4 — Processamento e congelamento:

  • Sêmen misturado com meio crioprotetor;
  • Dividido em múltiplas palhetas (permite múltiplas tentativas futuras);
  • Congelamento em nitrogênio líquido a -196°C;
  • Armazenamento em bancos de sêmen especializados.

Etapa 5 — Manutenção:

  • Taxa anual de armazenamento (varia entre clínicas);
  • Sêmen mantém viabilidade por décadas quando adequadamente armazenado;
  • Sem prazo de validade prático.

Custos aproximados no Brasil (2026, ordens de magnitude):

  • Coleta + análise + congelamento inicial: R$ 1.500-3.000;
  • Armazenamento anual: R$ 500-1.500;
  • Descongelamento futuro (uso): custo adicional específico.

Vantagens da criopreservação:

  • Simples e rápida — pode ser feita nas semanas antes da cirurgia;
  • Definitiva — sêmen fértil garantido para uso futuro;
  • Barata comparada a técnicas de recuperação pós-op;
  • Sem impacto na saúde do paciente;
  • Preserva qualidade seminal natural do momento;
  • Permite múltiplas tentativas reprodutivas futuras.

Recomendação absoluta: todo homem em idade reprodutiva que vai fazer cirurgia de HBP com risco de ejaculação retrógrada deveria ter oferta explícita de criopreservação. Isso é padrão de cuidado — não conveniência.

Espermograma pré-op — avaliação basal essencial

Antes mesmo de discutir cirurgia, se paciente tem projeto reprodutivo, espermograma basal é razoável para saber ponto de partida:

Espermograma pode revelar:

  • Fertilidade normal — congelamento tem excelente prognóstico;
  • Oligospermia (baixa contagem) — mais palhetas de congelamento necessárias;
  • Astenospermia (baixa motilidade) — pode necessitar ICSI (injeção intracitoplasmática) na reprodução assistida;
  • Azoospermia (ausência de espermatozoides no sêmen) — investigação adicional necessária.

Situações que reduzem qualidade seminal e são frequentes em faixa etária de HBP:

  • Idade avançada (qualidade seminal diminui progressivamente);
  • Tratamentos prévios (radioterapia pélvica, quimioterapia);
  • Medicações (5-alfa-redutase — finasterida, dutasterida — afetam parâmetros);
  • Comorbidades (diabetes, varicocele, tabagismo);
  • Uso de testosterona exógena (suprime espermatogênese — impacto muito relevante).

Se homem em uso de testosterona exógena para hipogonadismo tardio, discutir com endocrinologista possibilidade de suspensão prévia (pode restaurar espermatogênese) — mas com implicações no bem-estar geral.

Recuperação de espermatozoides após cirurgia — quando não houve criopreservação prévia

Cenário frequente: paciente fez cirurgia sem discussão adequada de fertilidade, tem ejaculação retrógrada, e agora quer ter filho. Não é fim do caminho — recuperação de espermatozoides é possível por múltiplas técnicas.

Técnica 1 — Recuperação de espermatozoides da urina pós-orgasmo

A primeira linha, menos invasiva:

Princípio: se sêmen vai para bexiga, coleta-se urina pós-orgasmo e recuperam-se os espermatozoides.

Preparação essencialalcalinização da urina:

  • Urina em pH baixo (ácido) é tóxica para espermatozoides;
  • Bicarbonato de sódio oral dias antes (protocolo específico);
  • Alternativamente medicações urinárias alcalinizantes;
  • Meta: pH urinário >7,5 no momento da coleta;
  • Verificação com fita reagente.

Protocolo de coleta:

  • Urina completa antes do orgasmo (esvaziar bexiga);
  • Ejaculação por masturbação em sala privativa (idealmente na clínica de reprodução);
  • Urina imediatamente após orgasmo — coleta em frasco estéril com meio de manutenção;
  • Transporte rápido ao laboratório.

Processamento em laboratório:

  • Centrifugação para concentrar espermatozoides;
  • Lavagem para remover urina;
  • Análise de contagem, motilidade e viabilidade;
  • Uso imediato em reprodução assistida ou congelamento.

Taxa de sucesso: viável em 50-80% dos casos de ejaculação retrógrada — recupera espermatozoides suficientes para reprodução assistida.

Vantagens:

  • Não invasivo;
  • Barato (custos similares a coleta de sêmen convencional);
  • Ambulatorial;
  • Repetível múltiplas vezes.

Limitações:

  • Nem sempre recuperação é adequada (qualidade variável);
  • Requer protocolo específico e clínica experiente;
  • Se ejaculação retrógrada for total (nenhum sêmen anterógrado) resultado pode ser subótimo.

Deve ser primeira linha de tentativa pós-cirurgia.

Técnica 2 — Estimulação medicamentosa para conversão em ejaculação anterógrada

Menos usado, tentativa antes de invasão:

Princípio: alguns medicamentos podem melhorar tônus do colo vesical residual e converter parcialmente ejaculação retrógrada em anterógrada.

Medicamentos usados (off-label, coordenação com urologista):

  • Imipramina (antidepressivo tricíclico) — efeito alfa-adrenérgico;
  • Pseudoefedrina — descongestionante com efeito alfa;
  • Efedrina;
  • Fenilpropanolamina (menos disponível).

Realidade honesta:

  • Eficácia limitada após cirurgia definitiva (RTU, HoLEP);
  • Colo vesical anatomicamente ausente não responde bem;
  • Mais útil em ejaculação retrógrada de causa neurológica (diabetes, esclerose múltipla) que pós-cirúrgica;
  • Efeitos colaterais (cardiovasculares, insônia) limitam uso.

Papel prático: tentativa razoável, mas expectativas modestas.

Técnica 3 — Recuperação cirúrgica de espermatozoides

Se técnicas 1 e 2 não são suficientes, opções cirúrgicas:

PESA (Aspiração Percutânea de Espermatozoides do Epidídimo):

  • Punção percutânea do epidídimo com agulha fina;
  • Aspiração de líquido epididimário com espermatozoides;
  • Anestesia local;
  • Ambulatorial;
  • Baixa invasividade.

MESA (Aspiração Microcirúrgica de Espermatozoides do Epidídimo):

  • Similar à PESA mas com microcirurgia;
  • Melhor qualidade de amostra;
  • Mais invasivo;
  • Anestesia geral/regional.

TESA (Aspiração Testicular de Espermatozoides):

  • Punção do testículo;
  • Aspiração de tecido testicular;
  • Anestesia local;
  • Ambulatorial.

TESE (Extração Testicular de Espermatozoides):

  • Biópsia aberta do testículo;
  • Múltiplas amostras;
  • Anestesia geral/regional;
  • Mais invasivo.

Micro-TESE (Extração Microcirúrgica Testicular):

  • Biópsia microscópica com identificação de túbulos favoráveis;
  • Máxima recuperação em casos difíceis;
  • Anestesia geral.

Qual escolher:

  • PESA/TESA são primeira linha por menor invasividade;
  • MESA/TESE se anteriores não recuperam adequadamente;
  • Micro-TESE em casos mais difíceis.

Custo: significativamente maior que criopreservação simples ou recuperação urinária.

Realização: por urologista especialista em reprodução masculina, em coordenação com clínica de reprodução assistida.

Uso dos espermatozoides — reprodução assistida

Espermatozoides recuperados (congelados pré-op ou recuperados pós-op) são usados em técnicas de reprodução assistida:

Inseminação Intrauterina (IIU)

Requisitos:

  • Espermatozoides em quantidade e qualidade adequadas;
  • Trompas femininas patentes;
  • Ovulação preservada.

Como funciona:

  • Estimulação ovariana leve na mulher;
  • Sêmen preparado em laboratório (capacitação);
  • Injeção do sêmen preparado no útero da mulher no momento da ovulação;
  • Fertilização in vivo.

Taxa de sucesso por ciclo: 10-20% (variável por idade feminina).

Adequação:

  • Cenário ideal com espermatozoides de boa qualidade recuperados;
  • Menos invasivo e mais barato que FIV.

Fertilização in Vitro (FIV) com ICSI

Requisitos:

  • Espermatozoides viáveis (mesmo em quantidade pequena);
  • Óvulos coletados por punção ovariana.

Como funciona:

  • Estimulação ovariana intensiva na mulher;
  • Punção ovariana para coleta de óvulos (ambulatorial, sedação);
  • ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide) — cada óvulo é fertilizado individualmente com um espermatozoide injetado por microagulha;
  • Embriões cultivados em laboratório;
  • Transferência de embrião ao útero.

Taxa de sucesso por ciclo: 30-50% (variável por idade feminina).

Adequação:

  • Cenário padrão quando qualidade seminal é limitada;
  • Necessário quando espermatozoides foram recuperados cirurgicamente (PESA/TESA);
  • Mais efetivo que IIU mas mais invasivo e caro.

Coordenação essencial com clínica de reprodução assistida especializada.

Cenários clínicos práticos

Cenário 1: Homem de 45 anos, HBP moderada, casado há 2 anos com parceira de 38 anos, projeto de filhos em 1-2 anos

Análise:

  • Projeto reprodutivo ativo;
  • Idade feminina começa a impor tempo;
  • Múltiplas opções cirúrgicas possíveis.

Estratégia sugerida:

  • Priorizar técnica com preservação ejaculatória: UroLift ou Rezum (se anatomia adequada);
  • Se anatomia não permitir: HoLEP com criopreservação pré-op obrigatória;
  • Espermograma basal recomendado;
  • Referenciamento a clínica de reprodução para orientação.

Cenário 2: Homem de 55 anos com 2 filhos, HBP severa, próstata 90g, quer HoLEP definitivo

Análise:

  • Projeto reprodutivo pode ser considerado completo;
  • Necessidade cirúrgica clara com técnica sem preservação.

Estratégia:

  • Discutir explicitamente se projeto reprodutivo está definitivamente encerrado;
  • Se sim: HoLEP direto, sem necessidade de preservação;
  • Se há dúvida: criopreservação prévia como seguro (custo relativamente baixo comparado a arrependimento futuro);
  • Documentação clara da conversa.

Cenário 3: Homem de 40 anos, HBP severa por urina retenida recentemente, projeto reprodutivo ativo

Análise:

  • Urgência clínica (retenção) + projeto reprodutivo;
  • Necessidade de tratamento definitivo.

Estratégia:

  • Se possível, período curto de sondagem enquanto se faz criopreservação (2-3 semanas);
  • HoLEP após criopreservação;
  • Se realmente urgente, criopreservação imediata (pode ser feita em poucos dias);
  • Nunca deixar cirurgia sem oferta explícita de preservação.

Cenário 4: Homem que já fez RTU há 5 anos, ejaculação retrógrada, agora quer ter filhos com nova parceira

Análise:

  • Não houve preservação prévia (cenário histórico frequente);
  • Ejaculação retrógrada estabelecida.

Estratégia:

  • Espermograma + recuperação urinária pós-orgasmo como primeira linha;
  • Alcalinização de urina protocolo apropriado;
  • Se recuperação urinária adequada: reprodução assistida (IIU ou FIV+ICSI);
  • Se recuperação insuficiente: considerar PESA/TESA;
  • Encaminhamento à clínica de reprodução assistida.

Cenário 5: Casal em processo de reprodução assistida com fator masculino já conhecido, homem agora precisa de cirurgia de HBP

Análise:

  • Cenário complexo com fertilidade já comprometida;
  • Cirurgia agravará ejaculação retrógrada.

Estratégia:

  • Coordenação estreita com clínica de reprodução;
  • Criopreservação de múltiplas amostras ANTES da cirurgia;
  • Considerar técnica com preservação ejaculatória se anatomia permitir;
  • Discussão detalhada de horizonte reprodutivo.

Perguntas essenciais para o paciente em idade reprodutiva antes da cirurgia de HPB

Sobre projeto reprodutivo:

  • Meu projeto de paternidade foi discutido explicitamente?
  • Que opções técnicas preservam ejaculação anterógrada?
  • Se técnica com preservação não for adequada anatomicamente, oferta de criopreservação foi feita?

Sobre criopreservação:

  • Fui encaminhado a banco de sêmen antes da cirurgia?
  • Quantas amostras devo congelar?
  • Qual clínica de reprodução meu médico recomenda?

Sobre alternativas técnicas:

  • UroLift, Rezum ou iTind são opções para meu perfil?
  • Se sim, qual o trade-off em eficácia comparado a HoLEP/RTU?

Sobre pós-operatório:

  • Se tiver ejaculação retrógrada, como recuperarei espermatozoides se necessário?
  • Que clínicas de reprodução no Brasil têm expertise em recuperação pós-cirurgia de próstata?

Sobre custos:

  • Quais custos estou olhando para preservação e eventual reprodução assistida?
  • Meu convênio cobre alguma parte?

Erros comuns nesse cenário

Erro 1: Não discutir projeto reprodutivo antes da cirurgia

O mais frequente e mais grave. Homem em idade reprodutiva merece oferta explícita dessa conversa, não pergunta genérica "quer ter filhos?".

Erro 2: Assumir que homem "já teve filhos" não terá mais

Novos relacionamentos, novos projetos reprodutivos são frequentes. Discussão explícita sempre.

Erro 3: Não oferecer criopreservação pré-op como padrão

Custo relativamente baixo para segurança definitiva. Oferta deve ser padrão de cuidado, não conveniência.

Erro 4: Escolher técnica cirúrgica sem considerar impacto na fertilidade

Se paciente tem projeto reprodutivo ativo, técnica com preservação (Rezum, UroLift) deve ser priorizada quando anatomicamente adequada.

Erro 5: Não referenciar a clínica de reprodução especializada

Recuperação de espermatozoides pós-cirurgia é área subespecializada. Encaminhamento apropriado é fundamental.

Erro 6: Confundir ejaculação retrógrada com impotência

São coisas completamente diferentes. Explicação clara ao paciente é essencial para evitar ansiedade desnecessária.

Erro 7: Assumir que ejaculação retrógrada = infertilidade definitiva

Fertilidade é preservável e recuperável com estratégia adequada. Muitos pacientes ainda pensam que "não podem mais ter filhos" após cirurgia — desinformação que gera sofrimento evitável.

Erro 8: Adiar cirurgia indefinidamente por preocupação reprodutiva

Se sintomas são severos, HPB precisa ser tratada. Solução é integrar preservação da fertilidade ao plano cirúrgico — não adiar tratamento necessário.

Uma reflexão sobre a paternidade tardia

Padrão social contemporâneo: paternidade cada vez mais tardia. Homens tendo filhos em faixas etárias que coincidem com aparecimento de HBP sintomática. Isso torna essa discussão cada vez mais frequente e relevante.

Historicamente, urologistas subvalorizaram fertilidade em pacientes de faixa etária de HBP porque assumiam que "já tinham feito família". Padrão social mudou — nossa prática precisa acompanhar.

Realidade que devemos internalizar:

  • Homens de 45-60 anos frequentemente têm projeto reprodutivo ativo;
  • Novos relacionamentos com parceiras jovens são comuns;
  • Reprodução assistida amplia janela reprodutiva;
  • Preservação da fertilidade é direito do paciente, não conveniência.

Conclusão: fertilidade é preservável e recuperável — mas exige planejamento explícito

Homem em idade reprodutiva que vai fazer cirurgia de HBP não deve renunciar a paternidade por causa da cirurgia. Fertilidade é preservável antes (criopreservação simples e barata) e recuperável depois (múltiplas técnicas viáveis).

Três mensagens centrais deste artigo:

Primeira: Discussão explícita do projeto reprodutivo é responsabilidade médica — não pode ser omitida por assumir que paciente já tem família. Homens de 40-60 anos frequentemente têm projeto reprodutivo ativo em cenários contemporâneos.

Segunda: Criopreservação de sêmen pré-op é padrão de cuidado, não conveniência. Custo relativamente baixo, procedimento simples, definitivo. Todo homem em idade reprodutiva que vai fazer cirurgia com risco de ejaculação retrógrada deve ter oferta explícita.

Terceira: Se paciente não fez criopreservação prévia e agora tem ejaculação retrógrada com projeto reprodutivo, múltiplas técnicas de recuperação viabilizam paternidade — recuperação da urina alcalinizada (primeira linha), PESA/TESA (segunda linha), sempre em coordenação com clínica de reprodução assistida especializada.

Se você (ou seu companheiro) está em idade reprodutiva e precisa de cirurgia de HBP, exija discussão explícita sobre preservação da fertilidade antes da cirurgia. Se cirurgia já foi feita sem essa discussão e agora enfrenta desafio reprodutivo, saiba que ainda há caminhos — busque avaliação em clínica de reprodução assistida com experiência específica em fator pós-cirúrgico.


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Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato · Urologista · CRM-SP 146.210 · RQE 61.330

Especialista em Urologia pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), o Dr. Alexandre Sato atua nas três grandes áreas da urologia moderna: tratamento da próstata aumentada (HBP), urologia oncológica e cirurgia robótica.

Dedica atenção especial a integração de tratamento da HBP com preservação da qualidade de vida sexual e reprodutiva. Acredita que cirurgia de próstata em homem em idade reprodutiva exige planejamento explícito e integrado — nunca decisão isolada baseada apenas em resolução do sintoma miccional. Mantém-se atualizado com as melhores práticas mundiais por meio de participação regular em congressos e publicações científicas.

Sua filosofia de atendimento: informar com clareza, decidir em conjunto e tratar com a técnica certa para cada paciente — nunca a mesma para todos.


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

A Begin Clinic é uma clínica especializada em tratamentos de reprodução assistida na cidade de São Paulo - SP. Também atendemos pacientes de outras cidades e estados em todo Brasil e exterior, que buscam por tratamentos de excelência, com médicos especialistas em congelamento de óvulos.


Saiba mais sobre Dr. Alexandre Sato.

CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6551764447584301

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