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HoLEP vs ThULEP: qual a diferença real?

Se você está pesquisando tratamentos cirúrgicos para a Hiperplasia Benigna da Próstata (HPB), provavelmente já encontrou os termos HoLEP e ThULEP. Ambos são técnicas de enucleação prostática a laser — consideradas hoje o estado da arte no tratamento da próstata aumentada — e frequentemente surgem como opções em discussão.

A dúvida é legítima: se são duas técnicas diferentes, qual é melhor? Qual sangra menos? Qual tem recuperação mais rápida? E, afinal, o que muda para o paciente?

Neste artigo, respondo essas perguntas com base nas evidências científicas mais recentes, incluindo ensaios clínicos randomizados e as diretrizes atualizadas da American Urological Association (AUA 2023) e da European Association of Urology (EAU 2025).

 

A resposta curta: na maioria dos casos, os resultados funcionais do HoLEP e do ThULEP são equivalentes. A diferença real está no tipo de laser utilizado — e, muito mais importante do que isso, na experiência do cirurgião com a técnica que ele pratica.

 

O que são HoLEP e ThULEP?

Antes de comparar as técnicas, é importante entender o que elas têm em comum: ambas são modalidades de enucleação prostática endoscópica (LEP — Laser Enucleation of the Prostate).

Ao contrário da RTU de próstata (ressecção transuretral), que "raspa" fragmentos do tecido obstrutivo, a enucleação remove o adenoma prostático de forma completa — como se separasse a polpa da fruta da casca. Essa remoção mais abrangente é o que garante resultados mais duradouros e menor taxa de reoperação.

A diferença entre HoLEP e ThULEP está exclusivamente na fonte de energia laser utilizada para realizar essa enucleação.

  • HoLEP — Holmium Laser Enucleation of the Prostate: usa laser de holmium:YAG
  • ThULEP — Thulium Laser Enucleation of the Prostate: usa laser de túlio:YAG (ou variante em fibra, chamada ThuFLEP)

 

A diferença começa no laser

 

Laser de holmium (HoLEP)

O laser de holmium opera no comprimento de onda de 2.140 nm, em modo pulsado. Isso significa que a energia é emitida em pulsos discretos, o que permite ao cirurgião alternar com precisão entre o corte do tecido e a coagulação dos vasos sanguíneos. Essa versatilidade é uma das maiores vantagens do holmium: o mesmo equipamento pode ser usado para tratar cálculos renais, estreitamentos uretrais e tumores de bexiga — procedimentos que frequentemente coexistem em pacientes com HPB.

O HoLEP existe desde 1998 e tem o maior histórico de evidências científicas de longo prazo entre todas as técnicas de enucleação.

Laser de Túlio (ThULEP)

O laser de túlio opera em 2.013 nm (ou 1.940 nm na variante de fibra), em modo contínuo. A emissão contínua de energia proporciona um efeito de coagulação mais uniforme durante o corte, o que alguns cirurgiões descrevem como uma visualização mais estável do campo operatório. Estudos sugerem que essa característica pode resultar em ligeiramente menor sangramento intraoperatório — embora a diferença clínica seja pequena.

O ThULEP é mais recente e tem curva de aprendizado considerada por alguns cirurgiões como ligeiramente mais amigável para quem está iniciando em enucleação prostática.

Comparativo Técnico Completo

Característica HoLEP ThULEP
Melhora dos Sintomas (IPSS) Excelente (Equivalente) Excelente (Equivalente)
Fluxo Urinário (Qmax) Excelente (Equivalente) Excelente (Equivalente)
Taxa de Reoperação (10 anos) < 1–2% < 1–2%
Sangramento Intraoperatório Mínimo Ligeiramente menor
Tempo de Internação ~ 1 dia ~ 1 dia
Tempo de Sonda Urinária < 24h < 24h

 

O que dizem as evidências científicas?

Evidência científica
 
Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados publicada no Current Bladder Dysfunction Reports (2025) concluiu que HoLEP e ThULEP são tratamentos comparáveis em segurança e eficácia, com desfechos intra e pós-operatórios similares. As diferenças observadas em alguns estudos quanto ao sangramento não têm impacto clínico significativo e não são confirmadas por todos os estudos.

Um estudo multicêntrico publicado no World Journal of Urology (2024) comparou diretamente HoLEP, ThULEP e ThuFLEP em 1.035 pacientes usando análise de escore de propensidade. O resultado foi claro: todas as três técnicas produziram melhora significativa nos escores de sintomas (IPSS), fluxo urinário máximo (Qmax) e qualidade de vida aos 1, 6 e 12 meses — sem diferença estatisticamente relevante entre elas.

Um ensaio clínico randomizado prospectivo de não-inferioridade (Kosiba et al., World Journal of Urology, 2024) comparou ThuFLEP e HoLEP em 150 pacientes e confirmou que o laser de fibra de túlio não é inferior ao holmium em termos de melhora de sintomas e qualidade de vida aos três meses — reforçando a equivalência funcional.

As diretrizes da EAU (2025) e da AUA (2023) reconhecem tanto o HoLEP quanto o ThULEP como opções de recomendação forte para o tratamento da HPB, sem estabelecer preferência entre elas.

 

Nota sobre os dados de longo prazo: o HoLEP tem estudos de seguimento de até 18 anos, com taxas de reoperação documentadas abaixo de 1–2%. O ThULEP, por ser mais recente, tem resultados funcionais equivalentes mas com seguimento de longo prazo ainda em acumulação. Isso não significa que seja inferior — significa que o HoLEP simplesmente existe há mais tempo.

 

Na prática: quando um é preferido ao outro?

Dado que os resultados são equivalentes, a escolha entre HoLEP e ThULEP na prática clínica depende de fatores diferentes dos que o paciente imagina:

Experiência do cirurgião

Este é, de longe, o fator mais importante. Um urologista com 200 HoLEPs realizados entregará resultados significativamente superiores a um cirurgião com 10 ThULEPs — independentemente de qual laser seja "tecnicamente melhor". A curva de aprendizado de qualquer enucleação prostática gira em torno de 50 casos, e a maestria técnica vem com centenas de procedimentos.

Equipamento disponível no hospital

Os equipamentos de laser são caros e específicos. Um hospital que investiu em plataforma de holmium realizará HoLEPs; um que adquiriu plataforma de túlio, ThULEPs. O paciente raramente tem controle sobre isso — e não precisa ter, dado que os resultados são equivalentes.

Perfil clínico específico

Em pacientes com histórico de sangramento mais intenso ou em uso de anticoagulantes onde a hemostasia é uma preocupação particular, alguns cirurgiões preferem o ThULEP pela coagulação ligeiramente mais uniforme. Porém, ambas as técnicas são consideradas seguras para pacientes anticoagulados.

Necessidade de procedimentos combinados

Se o paciente tem HPB associada a cálculos renais ou vesicais, ou estreitamento uretral, o laser de holmium tem vantagem prática: o mesmo equipamento resolve todos os problemas em uma única sessão cirúrgica. O ThULEP não tem a mesma versatilidade para tratar cálculos urinários.

Disponibilidade no Brasil

O HoLEP chegou ao Brasil de forma organizada em 2015, com os primeiros centros de volume em São Paulo. Desde então, tornou-se a técnica de enucleação mais difundida no país, disponível nos principais hospitais terciários.

O ThULEP (e sua variante ThuFLEP com laser de fibra) está sendo introduzido gradualmente. Alguns centros de excelência em São Paulo já dispõem do equipamento, mas a disponibilidade ainda é significativamente menor do que a do HoLEP.

Na prática, isso significa que, para a maioria dos pacientes brasileiros buscando enucleação prostática, o HoLEP será a opção mais acessível e realizada por cirurgiões com maior volume de casos.

Conclusão: o fator mais importante

Após revisar as evidências científicas e a experiência clínica acumulada, a conclusão é direta: HoLEP e ThULEP produzem resultados funcionais equivalentes. Mesma melhora dos sintomas, mesmo fluxo urinário, mesma taxa de reoperação, mesmo tempo de internação.

O que diferencia os resultados de uma enucleação prostática não é o tipo de laser — é a experiência e o volume de casos do cirurgião que a realiza.

Ao avaliar um urologista para realizar sua cirurgia de próstata, as perguntas mais importantes não são "você faz HoLEP ou ThULEP?", mas sim:

  • Quantos procedimentos de enucleação você já realizou?
  • Qual é sua taxa de complicações?
  • Em quais hospitais você opera?
  • Tenho alguma característica clínica que favorece uma técnica sobre a outra?

Essas respostas dizem muito mais sobre o resultado que você terá do que a escolha entre holmium e túlio.

 

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre HoLEP e ThULEP?

A principal diferença está no tipo de laser: o HoLEP usa laser de holmium (pulsado, 2.140 nm), enquanto o ThULEP usa laser de túlio (contínuo, 2.013 nm). Na prática clínica, os resultados funcionais são equivalentes — mesma melhora de sintomas, mesmo fluxo urinário e mesma taxa de reoperação.

HoLEP ou ThULEP: qual é melhor?

As diretrizes da AUA (2023) e EAU (2025) reconhecem ambas as técnicas como equivalentes. Uma revisão de ensaios clínicos randomizados de 2025 confirmou que não há evidência clara de superioridade de uma sobre a outra. O fator mais importante é a experiência do cirurgião com a técnica que ele utiliza.

O ThULEP sangra menos que o HoLEP?

Alguns estudos mostraram que o laser de túlio oferece hemostasia ligeiramente melhor, com menor queda de hemoglobina no pós-operatório. Porém, a diferença clínica é pequena e não confirmada por todos os estudos. Em mãos experientes, ambas têm sangramento mínimo.

O ThULEP está disponível em São Paulo?

Está sendo introduzido gradualmente. O HoLEP tem disponibilidade muito maior, com cirurgiões de alto volume em São Paulo desde 2015. Antes de buscar uma técnica específica, o mais importante é encontrar um urologista com experiência comprovada em enucleação prostática.

 
 
Dr. Alexandre Sato
Urologista · CRM-SP 146.210 · RQE 61330
Fellowship em oncologia urológica e cirurgia robótica pela Duke University (EUA). Fellowship em cálculos renais pela Faculdade de Medicina do ABC. Proctor certificado em cirurgia robótica (Intuitive Surgical). Membro da AUA, EAU e SBU. Revisor do Brazilian Journal of Urology. Atende no Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Nove de Julho, em São Paulo.

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