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Pedra na bexiga e próstata aumentada: dá para tratar na mesma cirurgia?

Resposta rápida: sim. Na maioria dos casos, a pedra na bexiga e a próstata aumentada são tratadas na mesma cirurgia, pela uretra e sem cortes. No HoLEP, o mesmo laser de hólmio que fragmenta a pedra também retira o tecido da próstata que obstrui a saída da urina. A pedra costuma ser consequência da obstrução. Por isso, tratar só a pedra e deixar a próstata obstruindo aumenta a chance de ela voltar.

Por que a próstata aumentada causa pedra na bexiga

No homem adulto, a pedra na bexiga quase sempre tem a mesma origem: a bexiga não esvazia por completo.

  1. A próstata aumentada estreita a saída da urina.
  2. Sobra urina na bexiga depois de cada micção. Esse é o resíduo pós-miccional.
  3. A urina parada favorece a formação de cristais, que crescem e formam a pedra.

Por isso, a diretriz europeia de urologia (EAU) considera a pedra na bexiga causada por obstrução uma das indicações de cirurgia da próstata.

Sintomas da pedra na bexiga

  • interrupção súbita do jato, que volta ao mudar de posição;
  • dor na ponta do pênis ou no baixo-ventre, principalmente no fim da micção;
  • sangue na urina;
  • infecções urinárias de repetição;
  • urgência e idas frequentes ao banheiro.

Algumas pedras não causam sintomas e são descobertas em um ultrassom de rotina.

Como é a cirurgia combinada

HoLEP com cistolitotripsia a laser (a mais usada)

  • Tudo é feito pela uretra, com anestesia, e sem cortes na pele.
  • Primeiro, o laser fragmenta a pedra, e os pedaços são retirados.
  • Em seguida, o HoLEP retira o adenoma, que é o tecido que obstrui.
  • O HoLEP serve para próstatas de qualquer tamanho, inclusive as muito grandes.

Em um estudo prospectivo com 32 homens (BJU International, 2007), a cirurgia combinada foi possível em todos os casos, e 100% ficaram sem pedra. A sonda ficou em média cerca de 29 horas, e a internação durou cerca de 35 horas. Nenhum paciente precisou de transfusão.

RTU com retirada da pedra

A RTU também pode ser combinada com a fragmentação da pedra no mesmo ato, principalmente em próstatas pequenas e médias.

Pedras muito grandes

  • A pedra pode ser fragmentada por mais tempo com laser.
  • Ela também pode ser retirada por uma pequena abertura acima do púbis, em procedimento percutâneo ou aberto.
  • Quando a próstata e a pedra são muito grandes, e o HoLEP não é a opção escolhida, a retirada da próstata pode ser feita por via robótica ou aberta, com a pedra retirada pela mesma abertura da bexiga.

Tratar só a pedra resolve?

Às vezes, sim. Em um estudo multicêntrico publicado em 2026, com 105 homens com pedras maiores que 1 cm:

  Só retirada da pedra Pedra + HoLEP
Pedra voltou 14% 0%
Complicações em 90 dias 13% 31%
Complicações graves 0% 5%
Sem cirurgia de próstata em 3 anos 77% Não se aplica

 

Como ler esses números:

  • A cirurgia combinada eliminou a recorrência da pedra, mas teve mais complicações, em geral leves.
  • Os autores concluem que a decisão deve se basear no grau de obstrução, e não só na presença da pedra.
  • Homens com obstrução leve e bexiga que esvazia bem podem, em casos selecionados, tratar só a pedra e acompanhar a próstata.

Outro estudo, com 320 homens operados com HoLEP (Urology, 2016), mostrou que acrescentar a fragmentação da pedra deixou a cirurgia cerca de 25 minutos mais longa e aumentou a perda de urina temporária, que afetou 27% dos homens na cirurgia combinada e 12,5% no HoLEP isolado. O sangramento foi o mesmo nos dois grupos. A perda de urina persistente foi rara, em menos de 1% dos homens.

E o UroLift e o Rezum?

Em geral, não são a primeira escolha quando há pedra na bexiga:

  • a pedra costuma indicar obstrução importante, que pede desobstrução mais completa;
  • no UroLift, cristais e fragmentos podem se depositar nos implantes.

Em casos selecionados, depois de retirar a pedra e avaliar a bexiga, o urologista pode discutir outras opções.

O que avaliar antes da cirurgia

  • Ultrassom ou tomografia, para ver o tamanho e o número de pedras;
  • tamanho da próstata e presença de lobo mediano;
  • resíduo pós-miccional e, quando indicado, estudo urodinâmico, para saber se a bexiga ainda contrai bem;
  • urocultura, porque a pedra costuma abrigar bactérias e qualquer infecção deve ser tratada antes;
  • PSA, como em toda avaliação da próstata;
  • função dos rins.

Recuperação

A recuperação é muito parecida com a do HoLEP isolado. A sonda fica por cerca de 1 a 2 dias, e a internação costuma ser curta. Pode haver um pouco de sangue na urina e perda de urina passageira nas primeiras semanas.

Cobertura

A RTU com retirada da pedra costuma ter cobertura do convênio. O HoLEP não está no rol da ANS e, em geral, é feito de forma particular. O orçamento é definido depois da avaliação.

Perguntas frequentes

Dá para tratar a pedra e a próstata na mesma cirurgia?
Sim. O mesmo laser do HoLEP fragmenta a pedra e desobstrui a próstata, pela uretra.

Por que a próstata causa pedra?
Porque a bexiga não esvazia por completo, e a urina parada forma cristais.

Tratar só a pedra resolve?
Às vezes, se a obstrução for leve. Se ela continuar, a pedra tende a voltar.

A cirurgia combinada é mais arriscada?
É um pouco mais longa e pode ter mais efeitos passageiros, mas é segura e resolve os dois problemas.

UroLift ou Rezum servem?
Em geral, não são a primeira escolha quando há pedra na bexiga.

E se a pedra for muito grande?
Ela pode ser fragmentada por mais tempo, retirada por uma pequena abertura acima do púbis ou retirada junto com a próstata por via robótica ou aberta.

Quais são os sintomas?
Interrupção do jato, dor ao fim da micção, sangue na urina e infecções de repetição.

Referências

  1. Shah HN, et al. Simultaneous transurethral cystolithotripsy with holmium laser enucleation of the prostate: a prospective feasibility study and review of literature. BJU Int. 2007;99(3):595-600.
  2. Savin Z, et al. Personalizing BPH management: bladder stone removal alone vs. with concomitant laser enucleation – a multicenter perspective with patient reported outcomes and decisional regret analysis. Prostate. 2026;86(7):831-838.
  3. HoLEP com e sem cistolitotripsia a laser concomitante: estudo comparativo com 320 pacientes. Urology. 2016.
  4. Skolarikos A, et al. EAU Guidelines on Urolithiasis (seção de cálculos vesicais). European Association of Urology, 2022.
  5. European Association of Urology. EAU Guidelines on Management of Non-neurogenic Male LUTS. 2025.

Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato é urologista em São Paulo (CRM-SP 146.210 · RQE 61330). Dedica-se às doenças da próstata, com atuação em HoLEP, UroLift e Rezum para a hiperplasia prostática benigna, e em cirurgia robótica e HIFU para o câncer de próstata.

Na avaliação de quem tem pedra na bexiga, ele mede o grau de obstrução e a função da bexiga para decidir se é melhor tratar a pedra e a próstata juntas ou só a pedra. Atende na Vila Clementino, em São Paulo.

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Descobriu uma pedra na bexiga ou tem próstata aumentada com infecções e sangue na urina? Agende uma consulta. A avaliação mostra o tamanho da pedra e da próstata e indica se os dois podem ser tratados na mesma cirurgia.

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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.


Saiba mais sobre Dr. Alexandre Sato.

CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6551764447584301

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