Pedra na bexiga e próstata aumentada: dá para tratar na mesma cirurgia?
Resposta rápida: sim. Na maioria dos casos, a pedra na bexiga e a próstata aumentada são tratadas na mesma cirurgia, pela uretra e sem cortes. No HoLEP, o mesmo laser de hólmio que fragmenta a pedra também retira o tecido da próstata que obstrui a saída da urina. A pedra costuma ser consequência da obstrução. Por isso, tratar só a pedra e deixar a próstata obstruindo aumenta a chance de ela voltar.
Por que a próstata aumentada causa pedra na bexiga
No homem adulto, a pedra na bexiga quase sempre tem a mesma origem: a bexiga não esvazia por completo.
- A próstata aumentada estreita a saída da urina.
- Sobra urina na bexiga depois de cada micção. Esse é o resíduo pós-miccional.
- A urina parada favorece a formação de cristais, que crescem e formam a pedra.
Por isso, a diretriz europeia de urologia (EAU) considera a pedra na bexiga causada por obstrução uma das indicações de cirurgia da próstata.
Sintomas da pedra na bexiga
- interrupção súbita do jato, que volta ao mudar de posição;
- dor na ponta do pênis ou no baixo-ventre, principalmente no fim da micção;
- sangue na urina;
- infecções urinárias de repetição;
- urgência e idas frequentes ao banheiro.
Algumas pedras não causam sintomas e são descobertas em um ultrassom de rotina.
Como é a cirurgia combinada
HoLEP com cistolitotripsia a laser (a mais usada)
- Tudo é feito pela uretra, com anestesia, e sem cortes na pele.
- Primeiro, o laser fragmenta a pedra, e os pedaços são retirados.
- Em seguida, o HoLEP retira o adenoma, que é o tecido que obstrui.
- O HoLEP serve para próstatas de qualquer tamanho, inclusive as muito grandes.
Em um estudo prospectivo com 32 homens (BJU International, 2007), a cirurgia combinada foi possível em todos os casos, e 100% ficaram sem pedra. A sonda ficou em média cerca de 29 horas, e a internação durou cerca de 35 horas. Nenhum paciente precisou de transfusão.
RTU com retirada da pedra
A RTU também pode ser combinada com a fragmentação da pedra no mesmo ato, principalmente em próstatas pequenas e médias.
Pedras muito grandes
- A pedra pode ser fragmentada por mais tempo com laser.
- Ela também pode ser retirada por uma pequena abertura acima do púbis, em procedimento percutâneo ou aberto.
- Quando a próstata e a pedra são muito grandes, e o HoLEP não é a opção escolhida, a retirada da próstata pode ser feita por via robótica ou aberta, com a pedra retirada pela mesma abertura da bexiga.
Tratar só a pedra resolve?
Às vezes, sim. Em um estudo multicêntrico publicado em 2026, com 105 homens com pedras maiores que 1 cm:
| Só retirada da pedra | Pedra + HoLEP | |
|---|---|---|
| Pedra voltou | 14% | 0% |
| Complicações em 90 dias | 13% | 31% |
| Complicações graves | 0% | 5% |
| Sem cirurgia de próstata em 3 anos | 77% | Não se aplica |
Como ler esses números:
- A cirurgia combinada eliminou a recorrência da pedra, mas teve mais complicações, em geral leves.
- Os autores concluem que a decisão deve se basear no grau de obstrução, e não só na presença da pedra.
- Homens com obstrução leve e bexiga que esvazia bem podem, em casos selecionados, tratar só a pedra e acompanhar a próstata.
Outro estudo, com 320 homens operados com HoLEP (Urology, 2016), mostrou que acrescentar a fragmentação da pedra deixou a cirurgia cerca de 25 minutos mais longa e aumentou a perda de urina temporária, que afetou 27% dos homens na cirurgia combinada e 12,5% no HoLEP isolado. O sangramento foi o mesmo nos dois grupos. A perda de urina persistente foi rara, em menos de 1% dos homens.
E o UroLift e o Rezum?
Em geral, não são a primeira escolha quando há pedra na bexiga:
- a pedra costuma indicar obstrução importante, que pede desobstrução mais completa;
- no UroLift, cristais e fragmentos podem se depositar nos implantes.
Em casos selecionados, depois de retirar a pedra e avaliar a bexiga, o urologista pode discutir outras opções.
O que avaliar antes da cirurgia
- Ultrassom ou tomografia, para ver o tamanho e o número de pedras;
- tamanho da próstata e presença de lobo mediano;
- resíduo pós-miccional e, quando indicado, estudo urodinâmico, para saber se a bexiga ainda contrai bem;
- urocultura, porque a pedra costuma abrigar bactérias e qualquer infecção deve ser tratada antes;
- PSA, como em toda avaliação da próstata;
- função dos rins.
Recuperação
A recuperação é muito parecida com a do HoLEP isolado. A sonda fica por cerca de 1 a 2 dias, e a internação costuma ser curta. Pode haver um pouco de sangue na urina e perda de urina passageira nas primeiras semanas.
Cobertura
A RTU com retirada da pedra costuma ter cobertura do convênio. O HoLEP não está no rol da ANS e, em geral, é feito de forma particular. O orçamento é definido depois da avaliação.
Perguntas frequentes
Dá para tratar a pedra e a próstata na mesma cirurgia?
Sim. O mesmo laser do HoLEP fragmenta a pedra e desobstrui a próstata, pela uretra.
Por que a próstata causa pedra?
Porque a bexiga não esvazia por completo, e a urina parada forma cristais.
Tratar só a pedra resolve?
Às vezes, se a obstrução for leve. Se ela continuar, a pedra tende a voltar.
A cirurgia combinada é mais arriscada?
É um pouco mais longa e pode ter mais efeitos passageiros, mas é segura e resolve os dois problemas.
UroLift ou Rezum servem?
Em geral, não são a primeira escolha quando há pedra na bexiga.
E se a pedra for muito grande?
Ela pode ser fragmentada por mais tempo, retirada por uma pequena abertura acima do púbis ou retirada junto com a próstata por via robótica ou aberta.
Quais são os sintomas?
Interrupção do jato, dor ao fim da micção, sangue na urina e infecções de repetição.
Referências
- Shah HN, et al. Simultaneous transurethral cystolithotripsy with holmium laser enucleation of the prostate: a prospective feasibility study and review of literature. BJU Int. 2007;99(3):595-600.
- Savin Z, et al. Personalizing BPH management: bladder stone removal alone vs. with concomitant laser enucleation – a multicenter perspective with patient reported outcomes and decisional regret analysis. Prostate. 2026;86(7):831-838.
- HoLEP com e sem cistolitotripsia a laser concomitante: estudo comparativo com 320 pacientes. Urology. 2016.
- Skolarikos A, et al. EAU Guidelines on Urolithiasis (seção de cálculos vesicais). European Association of Urology, 2022.
- European Association of Urology. EAU Guidelines on Management of Non-neurogenic Male LUTS. 2025.
Sobre o autor
Dr. Alexandre Sato é urologista em São Paulo (CRM-SP 146.210 · RQE 61330). Dedica-se às doenças da próstata, com atuação em HoLEP, UroLift e Rezum para a hiperplasia prostática benigna, e em cirurgia robótica e HIFU para o câncer de próstata.
Na avaliação de quem tem pedra na bexiga, ele mede o grau de obstrução e a função da bexiga para decidir se é melhor tratar a pedra e a próstata juntas ou só a pedra. Atende na Vila Clementino, em São Paulo.
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Dr. Alexandre Sato
Médico Urologista em São Paulo - SP
Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.
Saiba mais sobre Dr. Alexandre Sato.
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Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6551764447584301