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Como escolher seu urologista para uma cirurgia de próstata (e quando buscar uma segunda opinião)

Por Dr. Alexandre Sato — Urologista | CRM-SP 146.210 · RQE 61330
Conteúdo educativo, não substitui a consulta médica.

A resposta curta: na cirurgia de próstata, a experiência de quem opera pesa tanto quanto a técnica escolhida. Procure um urologista com formação específica na área, experiência comprovada na técnica que ele indica, transparência sobre os próprios resultados e que apresente todas as opções do seu caso, não só uma. Diante de uma decisão de grande impacto, como uma prostatectomia, pedir uma segunda opinião é um direito seu e costuma trazer segurança.

Por que o cirurgião faz tanta diferença

Estudos clássicos mostram que os resultados da cirurgia de próstata variam de acordo com o cirurgião e com o volume de casos que ele opera. Cirurgiões mais experientes tendem a ter menos complicações e melhores resultados de controle do câncer, continência e ereção. Isso vale para todas as vias. Como explicamos em cirurgia robótica x aberta x laparoscópica, a plataforma robótica amplia a precisão, mas o resultado depende de quem está no console.

O mesmo raciocínio vale para a próstata aumentada. Técnicas como o HoLEP têm curva de aprendizado longa, e o desempenho em próstatas muito grandes depende muito da experiência da equipe.

O que avaliar no seu urologista

Formação específica na área. Para câncer de próstata, procure formação em urologia oncológica e, se a indicação for robótica, certificação em cirurgia robótica. Para próstata aumentada, experiência nas técnicas modernas de desobstrução. CRM e RQE (registro de especialista) devem estar visíveis e podem ser consultados no site do Conselho Regional de Medicina.

Experiência na técnica que ele indica. Não basta conhecer a técnica: importa operar com frequência. É uma pergunta legítima saber quantas cirurgias daquele tipo o profissional realiza.

Transparência sobre resultados. Um bom cirurgião fala abertamente sobre os resultados que costuma ter em continência, em função erétil e em complicações, e explica o que é realista esperar no seu caso.

Apresenta todas as opções, inclusive a de não operar. No câncer de baixo risco, por exemplo, muitas vezes a melhor conduta é a vigilância ativa. Um especialista isento apresenta o leque completo, como mostramos em câncer de próstata localizado: cirurgia, radioterapia ou terapia focal?. Na próstata aumentada, o leque vai da medicação ao laser, como na árvore de decisão da próstata aumentada.

Estrutura e acompanhamento. Pergunte onde a cirurgia será feita, quem compõe a equipe e como será o acompanhamento depois: retirada da sonda, PSA, reabilitação do assoalho pélvico e da função sexual. A cirurgia não termina na alta.

Comunicação. Você deve sair da consulta entendendo o seu diagnóstico, as opções e o motivo da indicação. Se sair com mais dúvidas do que entrou, isso é um sinal.

Perguntas para fazer na consulta

Leve esta lista impressa ou no celular:

  1. Qual é exatamente o meu diagnóstico e o meu grupo de risco?
  2. Quais são todas as opções de tratamento para o meu caso, inclusive não operar agora?
  3. Por que o senhor recomenda esta técnica, e não outra?
  4. Quantas cirurgias deste tipo o senhor faz por ano?
  5. Quais são os seus resultados de continência, ereção e complicações?
  6. Como serão a internação, a sonda e a recuperação?
  7. Como será o acompanhamento depois, com PSA e reabilitação?
  8. Quais são os custos e o que o meu plano cobre?

Um bom urologista recebe essas perguntas com naturalidade.

Sinais de alerta

Desconfie de quem oferece uma única opção para todos os casos, promete resultados garantidos (“sem nenhum risco”, “100% de cura”), pressiona por uma decisão imediata sem motivo clínico, não explica os efeitos colaterais ou desestimula você a buscar outra opinião. No câncer de próstata localizado, na maioria das vezes há tempo para decidir com calma.

Quando buscar uma segunda opinião

A segunda opinião é especialmente útil quando:

  • a indicação é de um tratamento radical (prostatectomia ou radioterapia);
  • apenas uma opção foi apresentada;
  • você ficou em dúvida sobre o diagnóstico, o risco ou a técnica;
  • os exames trazem resultados discordantes (por exemplo, PSA, ressonância e biópsia que “não batem”);
  • você quer saber se é candidato a alternativas, como a terapia focal (HIFU) ou o Rezum.

Pedir uma segunda opinião não ofende um bom médico. É prática comum e recomendada em decisões de grande impacto. Para mais detalhes no contexto do câncer, veja também Segunda opinião oncológica: quando buscar.

O que levar para a segunda opinião

Para que a avaliação seja completa, leve: laudo da biópsia e, se possível, as lâminas (a revisão por outro patologista pode refinar a classificação do tumor); ressonância multiparamétrica com imagens e laudo; histórico de PSA com datas; exames de imagem de estadiamento, se houver; lista de medicações e doenças; e as suas prioridades e dúvidas, por escrito.

Perguntas frequentes

Como saber se um urologista é especialista? Verifique o CRM e o RQE no site do Conselho Regional de Medicina. Para câncer de próstata, procure formação em urologia oncológica; para cirurgia robótica, certificação específica.

É falta de educação pedir segunda opinião? Não. É um direito do paciente e uma prática recomendada antes de decisões de grande impacto. Bons médicos encorajam.

A técnica ou o cirurgião: o que importa mais? Os dois, mas a experiência do cirurgião pesa muito. A mesma técnica pode ter resultados diferentes conforme quem opera.

Tenho tempo para buscar uma segunda opinião? Na maioria dos casos de câncer de próstata localizado, sim. A doença costuma evoluir devagar. Pergunte ao seu médico se há algum motivo de urgência no seu caso.

O que levar na consulta de segunda opinião? Laudo da biópsia (e as lâminas, se possível), ressonância com imagens, histórico de PSA, outros exames e a sua lista de dúvidas.


Referências

  1. Begg CB, Riedel ER, Bach PB, et al. Variations in morbidity after radical prostatectomy. N Engl J Med. 2002;346:1138–1144.
  2. Vickers AJ, Bianco FJ, Serio AM, et al. The surgical learning curve for prostate cancer control after radical prostatectomy. J Natl Cancer Inst. 2007;99:1171–1177.
  3. EAU–EANM–ESTRO–ESUR–ISUP–SIOG. Guidelines on Prostate Cancer, edição vigente (2026).
  4. Conselho Federal de Medicina (CFM). Código de Ética Médica — direito do paciente à segunda opinião.
  5. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Sobre o Dr. Alexandre Sato

O Dr. Alexandre Sato é médico urologista em São Paulo, dedicado à urologia oncológica, à cirurgia robótica da próstata e ao tratamento da próstata aumentada. Fez graduação e residência em Urologia na Santa Casa de São Paulo e aprofundou sua formação em dois fellowships na Duke University (EUA), referência mundial em câncer urológico, em urologia oncológica e cirurgia robótica, com treinamento adicional em cálculo renal na Faculdade de Medicina do ABC. É cirurgião robótico certificado e membro de sociedades de referência da especialidade.

Recebe com frequência pacientes para segunda opinião em câncer de próstata e em próstata aumentada, com uma avaliação isenta que revisa exames, apresenta todas as opções e respeita a decisão de cada paciente. Atende em consultório na Vila Clementino e opera nos principais hospitais de São Paulo.

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