Prostatectomia robótica: o plano de saúde cobre? O que saber sobre cobertura e reembolso
Por Dr. Alexandre Sato, urologista (CRM-SP 146.210, RQE 61330). Atualizado em 26 de outubro de 2026.
Sim. Desde 1º de abril de 2026, a prostatectomia radical assistida por robô faz parte do Rol de Procedimentos da ANS e tem cobertura obrigatória para o câncer de próstata localizado ou localmente avançado. A regra vale para planos regulamentados com cobertura hospitalar. Fora dessas situações, a cobertura depende do contrato e, às vezes, de discussão judicial.
A seguir, explico quem tem direito, quais documentos preparar, quais são os prazos do plano e o que fazer se o pedido for negado.
O que mudou em 2026
Até 2025, a cirurgia robótica não constava do Rol da ANS. Por isso, muitos planos autorizavam apenas a cirurgia aberta ou por videolaparoscopia convencional, e muitos pacientes precisavam recorrer à Justiça para ter a técnica robótica coberta.
Isso mudou com a Resolução Normativa 654, publicada pela ANS em 12 de dezembro de 2025. Ela incluiu a prostatectomia radical assistida por robô no Rol, com uma Diretriz de Utilização própria, a DUT 173. A regra entrou em vigor em 1º de abril de 2026.
Foi a primeira cirurgia robótica a se tornar cobertura obrigatória dos planos de saúde no Brasil. A inclusão veio depois de o procedimento ter sido incorporado ao SUS em 2025.
Quem tem direito à cobertura
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Situação |
O plano é obrigado a cobrir pelo Rol? |
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Câncer de próstata localizado, com indicação de prostatectomia radical |
Sim (DUT 173) |
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Câncer de próstata localmente avançado, com indicação de prostatectomia radical |
Sim (DUT 173) |
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Plano com cobertura apenas ambulatorial (sem internação) |
Não: a cirurgia está no Rol para planos com segmentação hospitalar ou de referência |
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Plano antigo, contratado antes de 1999 e não adaptado à Lei 9.656 |
Depende do que está no contrato |
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Outras cirurgias robóticas (rim, bexiga, próstata aumentada/HPB) |
Não estão no Rol; depende do contrato ou de decisão judicial |
Na prática, quem decide se a cirurgia é o melhor tratamento é a avaliação médica. Nem todo câncer de próstata precisa de cirurgia: muitos casos de baixo risco podem ser acompanhados com vigilância ativa, e outros podem ser tratados com radioterapia ou terapia focal.
O que entra na autorização
A cobertura é do procedimento completo: a cirurgia robótica, a internação e a equipe, conforme as regras do seu plano. Mesmo assim, ainda podem surgir discussões pontuais sobre materiais, hospital habilitado e rede credenciada.
Por isso, vale pedir à operadora que a autorização descreva o procedimento como prostatectomia radical assistida por robô e liste o hospital e a equipe. Uma autorização genérica de "prostatectomia" pode ser interpretada como cirurgia convencional.
Passo a passo para pedir a autorização
- Reúna os exames do diagnóstico. Laudo da biópsia (com o grupo ISUP/Gleason), ressonância de próstata, PSA e, quando indicados, exames de estadiamento como o PET-PSMA.
- Peça um relatório médico detalhado. Ele deve trazer o diagnóstico (CID C61), o estadiamento, a indicação da cirurgia robótica e a justificativa técnica. Citar a RN 654/2025 e a DUT 173 ajuda a mostrar que o caso está dentro da norma.
- Confira hospital e equipe. Verifique se há hospital da sua rede com plataforma robótica e se o cirurgião tem habilitação em cirurgia robótica.
- Faça o pedido e guarde o número de protocolo. Ele é a prova da data em que a solicitação foi feita.
- Acompanhe os prazos. Pela RN 623/2024, o plano tem até 10 dias úteis para responder pedidos de alta complexidade ou de internação eletiva. Pela RN 566/2022, deve garantir a internação eletiva em até 21 dias úteis.
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E se o plano negar?
- Exija a negativa por escrito. Desde julho de 2025, toda negativa deve ser entregue por escrito, mesmo sem você pedir, com a cláusula do contrato ou a norma que a justifica.
- Peça reanálise à ouvidoria da operadora. Ela tem até 7 dias úteis para responder.
- Registre reclamação na ANS. Pelo Disque ANS (0800 701 9656) ou pelo site gov.br/ans, informando o protocolo da operadora.
- Procure orientação jurídica, se necessário. Antes de 2026, a maioria das decisões judiciais já reconhecia o direito à cirurgia robótica no tratamento do câncer. Em abril de 2026, o STJ também decidiu a favor de um paciente nesse tema (REsp 2.235.175/RS).
Uma negativa genérica, dizendo apenas que "a cirurgia robótica não está no Rol", não se sustenta mais para os casos previstos na DUT 173.
Reembolso: quando ele acontece
Há três situações diferentes.
- Cirurgia pela rede credenciada. O plano paga diretamente o hospital e a equipe. Não há reembolso a pedir.
- Plano com livre escolha. Se você optar por um médico ou hospital fora da rede, o plano reembolsa até o limite da tabela prevista no contrato. A diferença fica por sua conta.
- A rede não oferece a cirurgia no prazo. Se a operadora não garantir o atendimento dentro do prazo da ANS, ela deve cobrir o atendimento fora da rede. Se você tiver pago, o reembolso deve ser integral, em até 30 dias após o pedido.
Para qualquer pedido de reembolso, guarde notas fiscais e recibos discriminados (hospital, equipe, materiais), o relatório médico e todos os protocolos de atendimento.
E quem vai fazer a cirurgia particular?
O valor de uma prostatectomia robótica particular varia de caso para caso: depende do hospital, do tempo de internação, dos materiais e da equipe. Por isso, o orçamento é feito individualmente, depois da consulta e da análise dos exames.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica nem orientação jurídica. As regras citadas são as vigentes em outubro de 2026.
Perguntas frequentes
O plano de saúde é obrigado a cobrir a prostatectomia robótica? Sim, desde 1º de abril de 2026, para câncer de próstata localizado ou localmente avançado, em planos regulamentados com cobertura hospitalar (RN 654/2025 da ANS, DUT 173).
Meu plano só autorizou a cirurgia convencional. Ele pode fazer isso? Se o seu caso está dentro da DUT 173 e o médico indicou a técnica robótica, a cirurgia robótica é cobertura obrigatória. Peça a negativa por escrito e solicite reanálise à ouvidoria.
Quanto tempo o plano tem para responder ao pedido? Até 10 dias úteis para procedimentos de alta complexidade ou internação eletiva (RN 623/2024). A internação deve ser garantida em até 21 dias úteis (RN 566/2022).
O plano cobre cirurgia robótica para próstata aumentada (HPB)? Não pelo Rol. A inclusão de 2026 vale só para a prostatectomia radical no câncer de próstata. Para outros casos, vale o que está no contrato.
Tenho direito a reembolso se operar fora da rede? Depende. Em planos com livre escolha, o reembolso segue a tabela do contrato. Se a rede não oferecer a cirurgia dentro do prazo da ANS, o reembolso deve ser integral, em até 30 dias.
A cirurgia robótica é melhor que a convencional? Ela costuma trazer menos sangramento e internação mais curta. Mas o resultado depende principalmente da experiência do cirurgião e das características de cada caso, que são discutidas na consulta.
Vai fazer a prostatectomia e tem dúvidas sobre o plano de saúde? O Dr. Alexandre Sato é urologista com fellowship em oncologia urológica e cirurgia robótica pela Duke University (EUA) e atende em São Paulo. Na consulta, ele avalia seus exames, explica se a cirurgia robótica é a melhor opção para o seu caso e prepara o relatório médico para o pedido ao plano.
Agendar consulta pelo WhatsApp: (11) 97281-1985
Rua Borges Lagoa, 913, salas 31/32, Vila Clementino, São Paulo – SP. Telefone (11) 2306-5324.
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Dr. Alexandre Sato
Médico Urologista em São Paulo - SP
Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.
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