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Câncer de próstata: diagnóstico e tratamento em São Paulo

Por Dr. Alexandre Sato — Urologista | CRM-SP 146.210 · RQE 61330 · Revisado em 23/10/2026

Conteúdo educativo, não substitui a consulta médica.

A resposta curta: o câncer de próstata é o tumor mais comum no homem brasileiro, mas a maioria dos casos é descoberta ainda localizada, quando há várias opções de tratamento. A escolha depende do grupo de risco (PSA, Gleason/ISUP e extensão do tumor), da idade, da saúde geral e das prioridades de cada paciente. Nem todo câncer de próstata precisa ser operado: alguns podem ser apenas acompanhados de perto, e outros têm na cirurgia robótica, na radioterapia ou na terapia focal a melhor indicação.

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O câncer de próstata em números

Segundo a estimativa do INCA para o triênio 2026–2028, o Brasil deve registrar cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano, o equivalente a quase um terço dos tumores no homem (excluindo pele não melanoma). A doença é rara antes dos 50 anos e fica mais frequente com a idade.

Na fase inicial, o câncer de próstata quase nunca dá sintomas. Jato fraco, levantar à noite para urinar e sensação de esvaziamento incompleto costumam ser causados pelo crescimento benigno da próstata (HPB), não pelo câncer. Por isso, esperar sintomas não é uma boa estratégia.

Quando fazer o PSA

A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que o rastreamento seja individualizado e conversado com o urologista:

  • A partir dos 50 anos para a maioria dos homens.
  • A partir dos 45 anos para homens negros ou com pai ou irmão que teve câncer de próstata.
  • Mais cedo, em casos de alterações genéticas conhecidas na família (como BRCA), conforme avaliação.

O tema tem debate: o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento populacional, pelo risco de diagnosticar e tratar tumores que não trariam problema. A forma moderna de resolver esse dilema é usar a ressonância antes da biópsia e a vigilância ativa para os tumores de baixo risco — assim o rastreamento encontra os cânceres que importam sem tratar em excesso os que não importam.

PSA alterado: e agora?

Um PSA alto não significa câncer. Infecção, HPB, esforço físico e até relação sexual recente podem elevar o valor. O caminho costuma ser:

  1. Repetir o PSA e avaliar a velocidade de subida, o PSA livre e a densidade do PSA (PSA dividido pelo volume da próstata).
  2. Ressonância magnética multiparamétrica da próstata, que classifica as áreas suspeitas pelo sistema PI-RADS, de 1 a 5. Veja: PI-RADS 4 e 5: o que significam e quais são os riscos reais.
  3. Biópsia, quando indicada, direcionada às áreas suspeitas da ressonância. Pode ser feita pela via transretal ou pela via transperineal, que tem menor risco de infecção. Veja: como se preparar para a biópsia de próstata.

Entendendo o diagnóstico: Gleason, ISUP e grupo de risco

O patologista classifica o tumor pelo escore de Gleason, hoje agrupado em graus ISUP de 1 a 5. Quanto maior o grau, mais agressivo o tumor. Combinando o ISUP com o PSA e o estadiamento clínico, o urologista define o grupo de risco, que é o que mais orienta o tratamento. Veja: Classificação de Gleason/ISUP e o glossário da próstata.

Grupo de risco

Perfil típico

Caminhos mais discutidos

Muito baixo e baixo

ISUP 1, PSA abaixo de 10, tumor pequeno

Vigilância ativa na maioria dos casos

Intermediário favorável

ISUP 2 com pouco volume de tumor

Vigilância ativa em casos selecionados, cirurgia, radioterapia ou terapia focal

Intermediário desfavorável

ISUP 3, ou PSA entre 10 e 20 com outros fatores

Cirurgia robótica ou radioterapia com hormonioterapia de curta duração

Alto e muito alto

ISUP 4–5, PSA acima de 20 ou tumor que ultrapassa a próstata

Cirurgia robótica com linfadenectomia ou radioterapia com hormonioterapia, muitas vezes combinadas

Classificação simplificada, baseada nas diretrizes da EAU e da AUA/ASTRO. A definição exata do seu grupo é feita na consulta.

Estadiamento: o câncer está só na próstata?

Nos tumores de risco intermediário desfavorável e alto, o próximo passo é saber se a doença saiu da próstata. O PET-PSMA é hoje o exame mais preciso para isso e, quando disponível, tende a substituir a combinação de tomografia e cintilografia óssea. Nos tumores de baixo risco, em geral não é preciso fazer exames de estadiamento.

Tratamentos para o câncer de próstata localizado

Não existe um tratamento "melhor" para todos. Para a doença localizada, cirurgia e radioterapia têm chances de controle do câncer semelhantes; o que muda são os efeitos colaterais, a recuperação e o seguimento. Veja a árvore de decisão completa em câncer de próstata localizado: cirurgia, radioterapia ou terapia focal?

Vigilância ativa

Para tumores de baixo risco, acompanhar de perto com PSA, ressonância e biópsias periódicas evita os efeitos colaterais do tratamento sem perder a chance de cura. Se o tumor mostrar sinais de progressão, o tratamento é indicado. Veja: terapia focal x vigilância ativa: quando cada uma.

Prostatectomia radical robótica

Retirada completa da próstata e das vesículas seminais com auxílio do robô, por pequenas incisões. A visão ampliada e a precisão dos instrumentos facilitam a preservação dos nervos da ereção e das estruturas da continência, quando o tumor permite. Em geral, a internação é curta e a sonda fica por cerca de uma semana. Veja:

Radioterapia

Pode ser externa ou por braquiterapia, isolada ou associada à hormonioterapia, conforme o grupo de risco. É uma alternativa de mesma eficácia para muitos pacientes, especialmente os mais idosos ou com risco cirúrgico maior. O Dr. Sato discute a radioterapia em conjunto com o radio-oncologista quando ela é uma opção.

Terapia focal (HIFU)

O HIFU usa ultrassom focalizado de alta intensidade para tratar apenas a área do tumor, preservando o restante da próstata. É indicado para pacientes cuidadosamente selecionados — em geral com tumor de risco intermediário, bem localizado na ressonância e confirmado na biópsia — e exige acompanhamento rigoroso depois do tratamento. Veja:

A vida depois do tratamento

Continência urinária, função sexual e acompanhamento do PSA são as principais preocupações de quem trata o câncer de próstata. Com orientação e reabilitação, a maioria dos homens recupera a continência nos primeiros meses após a cirurgia; a recuperação da ereção é mais lenta e depende da preservação dos nervos e da função antes do tratamento.

Como escolher o urologista para tratar o câncer de próstata

Na cirurgia de próstata, a experiência de quem opera influencia diretamente os resultados de continência, função sexual e controle do câncer. Pergunte ao seu urologista quantas cirurgias desse tipo ele faz por ano, quais são os resultados funcionais da sua equipe e se ele discute todas as opções, inclusive as que não realiza. Buscar uma segunda opinião é legítimo e comum. Veja: como escolher seu urologista e quando buscar uma segunda opinião e 20 perguntas para fazer ao cirurgião.

Experiência do Dr. Alexandre Sato

O Dr. Alexandre Sato é urologista dedicado à urologia oncológica e à cirurgia robótica da próstata. Fez graduação, residência em Cirurgia Geral e residência em Urologia na Santa Casa de São Paulo e fellowship em Urologia Oncológica e Cirurgia Robótica na Duke University (EUA). É certificado pela Intuitive para cirurgia robótica, atua como proctor (instrutor de outros cirurgiões) e é revisor do Brazilian Journal of Urology.

  • 600 prostatectomias radicais robóticas realizadas 
  • Plataformas robóticas: da Vinci Xi / MEDBOT / HUGO 
  • Opera nos hospitais Hospital Oswaldo Cruz, Nove de Julho, Albert Einstein, São Luiz Itaim
  • Terapia focal com HIFU: Hospital Albert Einstein

Consultório na Rua Borges Lagoa, 913, Vila Clementino, São Paulo.

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Perguntas frequentes

Câncer de próstata tem cura? Na maioria dos casos diagnosticados com a doença localizada, sim. As chances dependem do grupo de risco e do tratamento indicado. Mesmo nos casos avançados, há tratamentos que controlam a doença por muitos anos.

Todo câncer de próstata precisa ser operado? Não. Tumores de baixo risco costumam ser apenas acompanhados (vigilância ativa), e outros podem ser tratados com radioterapia ou terapia focal. A cirurgia é uma das opções, indicada conforme o caso.

PSA alto é sinal de câncer? Não necessariamente. Infecção, inflamação e crescimento benigno da próstata também elevam o PSA. A ressonância ajuda a decidir quem realmente precisa de biópsia.

A partir de que idade devo fazer o PSA? A SBU recomenda conversar com o urologista a partir dos 50 anos, ou dos 45 se você for negro ou tiver pai ou irmão com câncer de próstata.

A cirurgia robótica é melhor que a aberta? Para o controle do câncer, os resultados são semelhantes. A robótica costuma ter menos sangramento, internação mais curta e recuperação mais rápida. A experiência do cirurgião pesa tanto quanto a técnica.

Vou ficar com incontinência ou impotência depois da cirurgia? A perda de urina é comum nas primeiras semanas e melhora na maioria dos homens nos primeiros meses. A ereção depende da preservação dos nervos, da idade e da função antes da cirurgia, e a recuperação pode levar de 12 a 24 meses, com reabilitação.

O HIFU serve para qualquer câncer de próstata? Não. A terapia focal é indicada para tumores bem localizados e selecionados com ressonância e biópsia. Tumores extensos, multifocais ou de alto grau geralmente não são candidatos.

A cirurgia robótica é coberta pelo convênio? [Texto a definir com o Dr. Sato, alinhado ao guia de custos do site. Considerar a decisão da Conitec sobre cirurgia robótica no SUS e a situação no rol da ANS em 2026.]

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil. Rio de Janeiro: INCA, 2026.
  2. European Association of Urology (EAU). EAU – EANM – ESTRO – ESUR – ISUP – SIOG Guidelines on Prostate Cancer, edição vigente.
  3. Eastham JA, Auffenberg GB, Barocas DA, et al. Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/ASTRO Guideline. J Urol. 2022 (atualização 2023).
  4. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Recomendações sobre rastreamento do câncer de próstata.
  5. Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Diretrizes de tratamentos oncológicos — Próstata: doença localizada, 2025.
  6. Hamdy FC, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer (ProtecT). N Engl J Med. 2023.

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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.


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