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Câncer de próstata de alto risco: quando combinar cirurgia, radioterapia e hormonioterapia

Por Dr. Alexandre Sato, urologista (CRM-SP 146.210, RQE 61330). Atualizado em 26 de outubro de 2026.

No câncer de próstata de alto risco, o tratamento costuma combinar duas ou mais terapias. As principais estratégias são a radioterapia associada à hormonioterapia, por 18 meses a 3 anos, e a prostatectomia radical com retirada dos linfonodos da pelve, seguida de radioterapia e hormonioterapia quando o exame da peça operada ou o PSA indicam risco de a doença voltar. As duas estratégias têm intenção de cura.

Neste texto, explico o que é o câncer de alto risco, como cada combinação funciona e o que os principais estudos mostram.

O que é câncer de próstata de alto risco

É o tumor que, mesmo sem ter se espalhado para outros órgãos, tem maior chance de voltar depois do tratamento. Ele é classificado como alto risco quando há pelo menos um destes achados:

  • PSA acima de 20 ng/mL no diagnóstico;
  • Gleason 8 a 10 (grupos ISUP 4 ou 5) na biópsia;
  • Tumor que ultrapassa a cápsula da próstata no exame de toque ou na ressonância (estágio T3a).

Quando o tumor invade as vesículas seminais ou órgãos vizinhos (T3b ou T4), ou já atinge os linfonodos da pelve, ele é chamado de localmente avançado. Muitas vezes os dois grupos são tratados de forma parecida.

Antes de decidir o tratamento, é essencial um estadiamento completo. Hoje, o PET-PSMA é o exame mais preciso para confirmar que a doença não se espalhou para fora da pelve.

Opção 1: radioterapia com hormonioterapia

A radioterapia sozinha não é suficiente no alto risco. Ela é feita junto com a hormonioterapia (bloqueio hormonal), que reduz a testosterona, o hormônio que alimenta o tumor.

  • Duração do bloqueio hormonal: em geral, de 18 meses a 3 anos, começando antes ou junto com a radioterapia.
  • Abiraterona: em casos de risco muito alto (por exemplo, linfonodos comprometidos, ou dois destes achados: tumor T3/T4, Gleason 8 a 10, PSA de 40 ou mais), acrescentar 2 anos de abiraterona ao bloqueio hormonal reduziu o risco de metástase e de morte no estudo STAMPEDE. Em 6 anos, 82% dos homens estavam livres de metástase com a combinação, contra 69% com o bloqueio hormonal sozinho.
  • Área tratada: dependendo do caso, a radioterapia pode incluir também os linfonodos da pelve.

Os efeitos colaterais da hormonioterapia (ondas de calor, cansaço, perda de libido, perda de massa muscular e óssea) são o principal custo dessa estratégia, e a duração é decidida caso a caso.

Opção 2: cirurgia como primeiro passo

A prostatectomia radical também é uma opção de cura no alto risco, desde que o tumor possa ser retirado por completo. Nesses casos, a cirurgia inclui a linfadenectomia pélvica estendida, a retirada dos linfonodos da pelve, que ajuda a estadiar a doença e a remover focos microscópicos.

A vantagem é ter o tumor inteiro para análise. O exame da peça mostra se as margens estão livres, se há invasão de vesículas seminais e se os linfonodos estão comprometidos. Isso orienta os próximos passos com mais precisão.

A cirurgia robótica permite fazer esse procedimento com menos sangramento e recuperação mais rápida, mas a decisão entre cirurgia e radioterapia depende do caso, não da técnica.

Quando a cirurgia precisa ser complementada

No alto risco, parte dos pacientes operados vai precisar de radioterapia e, às vezes, de hormonioterapia depois. É o que se chama de tratamento multimodal ou combinado. As situações mais comuns são:

  • PSA que não zera algumas semanas após a cirurgia;
  • PSA que volta a subir durante o acompanhamento (recidiva bioquímica);
  • Linfonodos comprometidos no exame da peça;
  • Margens comprometidas ou invasão de vesículas seminais, que aumentam o risco de recidiva.

Um ponto importante: radioterapia logo após a cirurgia não é obrigatória para todos. O estudo RADICALS-RT comparou a radioterapia feita de rotina após a cirurgia com o acompanhamento do PSA e radioterapia só se ele subisse. Os resultados foram semelhantes, e o grupo acompanhado teve menos incontinência e menos estreitamento da uretra. Cerca de dois terços desses homens nem chegaram a precisar de radioterapia.

Quando a radioterapia após a cirurgia é indicada, a hormonioterapia pode ser associada. No estudo RADICALS-HD, 24 meses de bloqueio hormonal com a radioterapia reduziram o risco de metástase em comparação com 6 meses.

Cirurgia ou radioterapia: qual é melhor?

Não há estudos de alta qualidade que comparem diretamente as duas estratégias no alto risco. Ambas oferecem chance real de cura. A escolha leva em conta:

Fator

O que pesa

Idade e saúde geral

A cirurgia exige condições clínicas para anestesia e recuperação

Extensão do tumor

Tumores que invadem órgãos vizinhos podem não ser totalmente removíveis

Sintomas urinários

Próstata grande ou muitos sintomas urinários podem favorecer a cirurgia

Tolerância à hormonioterapia

A radioterapia no alto risco depende de bloqueio hormonal longo

Preferências do paciente

Efeitos na continência, na ereção e na rotina de tratamento

Por isso, o ideal é que a decisão seja discutida entre urologista e radioterapeuta, com o paciente.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. As informações refletem as diretrizes e estudos disponíveis em outubro de 2026.

Perguntas frequentes

 

Câncer de próstata de alto risco tem cura? Sim. Quando a doença está restrita à próstata e à pelve, tanto a cirurgia quanto a radioterapia com hormonioterapia são feitas com intenção de cura.

Quem tem câncer de alto risco pode operar? Sim, desde que o tumor possa ser retirado por completo e a saúde geral permita a cirurgia. Nesses casos, a operação inclui a retirada dos linfonodos da pelve.

Quanto tempo dura a hormonioterapia junto com a radioterapia? No alto risco, em geral de 18 meses a 3 anos. A duração é definida conforme o caso e a tolerância aos efeitos colaterais.

Depois da cirurgia, vou precisar de radioterapia? Nem sempre. Ela é indicada se o PSA não zerar ou voltar a subir, ou se o exame da peça mostrar fatores de risco. Muitos homens só fazem acompanhamento do PSA.

O que é tratamento multimodal no câncer de próstata? É a combinação de duas ou mais terapias, como cirurgia, radioterapia e hormonioterapia, para aumentar a chance de controlar a doença.

Para que serve a abiraterona no câncer de alto risco? Em casos de risco muito alto tratados com radioterapia, 2 anos de abiraterona associados ao bloqueio hormonal reduziram o risco de metástase e de morte no estudo STAMPEDE.

 

Quer uma avaliação completa do seu caso? O Dr. Alexandre Sato é urologista com fellowship em oncologia urológica e cirurgia robótica pela Duke University (EUA) e atende em São Paulo. Na consulta, ele revisa a biópsia, a ressonância e os exames de estadiamento, explica as opções de tratamento e, quando necessário, discute o caso com a equipe de radioterapia e oncologia.

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Leia também

Referências bibliográficas

Publicar no fim do post, depois do "Leia também", com o título Referências. Formato Vancouver.

  1. Cornford P, Tilki D, van den Bergh RCN, et al. EAU – EANM – ESTRO – ESUR – ISUP – SIOG Guidelines on Prostate Cancer. Arnhem: European Association of Urology; 2025. Disponível em: uroweb.org/guidelines/prostate-cancer
  2. Attard G, Murphy L, Clarke NW, et al. Abiraterone acetate and prednisolone with or without enzalutamide for high-risk non-metastatic prostate cancer: a meta-analysis of primary results from two randomised controlled phase 3 trials of the STAMPEDE platform protocol. Lancet. 2022;399(10323):447-60.
  3. Parker CC, Clarke NW, Cook AD, et al. Timing of radiotherapy after radical prostatectomy (RADICALS-RT): a randomised, controlled phase 3 trial. Lancet. 2020;396(10260):1413-21.
  4. Vale CL, Fisher D, Kneebone A, et al. Adjuvant or early salvage radiotherapy for the treatment of localised and locally advanced prostate cancer: a prospectively planned systematic review and meta-analysis of aggregate data (ARTISTIC). Lancet. 2020;396(10260):1422-31.
  5. Parker CC, Kynaston H, Cook AD, et al. Duration of androgen deprivation therapy with postoperative radiotherapy for prostate cancer: a comparison of long-course versus short-course androgen deprivation therapy in the RADICALS-HD randomised trial. Lancet. 2024;403(10442):2416-25.
  6. Hofman MS, Lawrentschuk N, Francis RJ, et al. Prostate-specific membrane antigen PET-CT in patients with high-risk prostate cancer before curative-intent surgery or radiotherapy (proPSMA): a prospective, randomised, multicentre study. Lancet. 2020;395(10231):1208-16.

 


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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.


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CRM-SP: 146.210 - RQE: 61330
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