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Dá para parar o remédio da próstata? UroLift como alternativa à tansulosina

Resposta rápida: dá, para muitos homens, mas nunca por conta própria. O remédio da próstata controla os sintomas enquanto é tomado, mas não cura a hiperplasia. Se for suspenso sem outro tratamento, os sintomas costumam voltar em poucos dias. Para quem quer deixar a medicação por efeitos colaterais, pelo uso diário por anos ou porque o remédio já não basta, o UroLift é uma das alternativas. Ele abre o canal da urina sem cortes, preserva a ejaculação na maioria dos casos e, em geral, permite suspender o alfabloqueador depois do procedimento.

O que o remédio da próstata faz, e o que não faz

Existem dois grupos principais de remédios:

  • Alfabloqueadores (tansulosina, doxazosina, alfuzosina, silodosina): relaxam a musculatura da próstata e do colo da bexiga. O alívio aparece em dias, mas não reduzem o tamanho da próstata.
  • Inibidores da 5-alfarredutase (finasterida, dutasterida): reduzem o tamanho da próstata ao longo de cerca de 6 meses e diminuem o risco de retenção urinária e de cirurgia. O efeito se perde se o remédio for suspenso.

O estudo MTOPS acompanhou mais de 3.000 homens por cerca de 4 anos e mostrou que a combinação dos dois grupos foi a forma de remédio que mais reduziu a progressão da doença. A doxazosina sozinha aliviou os sintomas, mas não reduziu o risco de retenção urinária nem de cirurgia a longo prazo.

Por que tantos homens querem parar

Remédio Efeitos que mais incomodam
Tansulosina e outros alfabloqueadores Ejaculação com pouco ou nenhum sêmen, tontura ao levantar, congestão nasal
Finasterida e dutasterida Queda da libido, piora da ereção em parte dos homens, menor volume de sêmen, aumento das mamas
Combinação dos dois Soma dos efeitos e mais comprimidos por dia

 

Há ainda o próprio uso contínuo. Em um estudo italiano com mais de 200 mil homens, a maioria interrompeu o remédio ao longo do primeiro ano. Quem interrompeu teve risco maior de internação e de cirurgia pela próstata.

Dois cuidados importantes:

  • Cirurgia de catarata: a tansulosina está associada à síndrome da íris flácida durante a cirurgia. Avise sempre o oftalmologista que você usa ou já usou o remédio.
  • PSA: a finasterida e a dutasterida reduzem o PSA em cerca de metade. Ao parar, o PSA tende a subir de novo. Isso precisa ser interpretado pelo urologista para não ser confundido com outro problema.

O que acontece se você parar sozinho

  • Tansulosina: os sintomas costumam voltar em poucos dias, como jato fraco, urgência e idas noturnas ao banheiro. Em quem tem obstrução importante, há risco de retenção urinária, quando não se consegue urinar e é preciso colocar sonda.
  • Finasterida ou dutasterida: a próstata volta a crescer ao longo de meses, e o PSA sobe.

Quando parar pode ser razoável, com orientação

  • Sintomas leves e estáveis, depois de reavaliação com o urologista.
  • Depois de alguns meses de combinação: no estudo SMART-1, a maioria dos homens com sintomas moderados conseguiu parar a tansulosina depois de 6 meses de uso junto com a dutasterida, mantendo apenas a dutasterida.
  • Depois de um procedimento que desobstrui a próstata, como o UroLift, o Rezum ou o HoLEP.

UroLift como alternativa à tansulosina

O UroLift é feito pela uretra, sem cortes. Pequenos implantes afastam os lobos da próstata e abrem o canal da urina, sem retirar tecido.

Para quem costuma ser indicado:

  • próstata pequena a moderada, dentro do volume indicado para a técnica;
  • ausência de lobo mediano obstrutivo, ou lobo mediano selecionado para a técnica;
  • sintomas que persistem apesar do remédio, efeitos colaterais incômodos ou desejo de não tomar medicação diária;
  • desejo de preservar a ejaculação.

O que mostram os estudos:

  • No estudo randomizado L.I.F.T., a melhora em 5 anos foi de 36% nos sintomas, 50% na qualidade de vida e 44% no jato urinário.
  • Uma comparação indireta entre os estudos do UroLift e o MTOPS mostrou melhor preservação da ejaculação e da satisfação sexual com o UroLift do que com a doxazosina, a finasterida ou a combinação. Por ser indireta e patrocinada pelo fabricante, essa comparação deve ser lida com cautela.

Depois do UroLift: em geral, o alfabloqueador é suspenso logo após o procedimento ou depois de algumas semanas, conforme a avaliação. A finasterida e a dutasterida são avaliadas caso a caso. Uma parte dos homens pode voltar a precisar de remédio ou de novo tratamento com os anos, porque a próstata continua crescendo.

Remédio x UroLift

  Remédio (tansulosina) UroLift
Como age Relaxa a musculatura da próstata Abre o canal com implantes
Início do efeito Dias Semanas
Uso Diário, por tempo indeterminado Procedimento único, com acompanhamento
Ejaculação Pode reduzir ou suprimir o sêmen Preservada na maioria
Ao parar Os sintomas voltam Implantes permanentes
Custo Farmácia, uso contínuo Particular, fora do rol da ANS

 

Quando nem o remédio nem o UroLift bastam

Algumas situações pedem uma desobstrução mais completa, como RTU, HoLEP ou, em casos selecionados, Rezum:

  • retenção urinária que se repete;
  • infecções urinárias de repetição causadas pela obstrução;
  • cálculos na bexiga;
  • sangramento recorrente pela próstata;
  • piora da função dos rins causada pela obstrução;
  • próstata muito grande ou lobo mediano obstrutivo.

Perguntas frequentes

Posso parar a tansulosina por conta própria?
Não. Os sintomas costumam voltar em poucos dias, e quem tem obstrução importante pode ter retenção urinária.

O remédio da próstata cura a hiperplasia?
Não. Ele controla os sintomas, e o efeito se perde quando é suspenso.

Depois do UroLift posso parar o remédio?
Na maioria dos casos, sim, conforme a avaliação do urologista.

Quem pode trocar o remédio pelo UroLift?
Homens com próstata pequena a moderada, sem lobo mediano obstrutivo, que têm sintomas ou efeitos colaterais com o remédio ou que não querem tomar medicação diária.

A tansulosina afeta a ejaculação?
Pode afetar, reduzindo ou suprimindo a saída do sêmen em parte dos homens.

Tomo tansulosina e vou operar catarata. O que faço?
Avise o oftalmologista antes da cirurgia e não suspenda o remédio sem orientação.

Parar a finasterida ou a dutasterida altera o PSA?
Sim. O PSA tende a subir de novo e deve ser interpretado pelo urologista.

Referências

  1. McConnell JD, et al. The long-term effect of doxazosin, finasteride, and combination therapy on the clinical progression of benign prostatic hyperplasia (MTOPS). N Engl J Med. 2003;349(25):2387-2398.
  2. Roehrborn CG, et al. The effects of combination therapy with dutasteride and tamsulosin on clinical outcomes in men with symptomatic BPH: 4-year results from the CombAT study. Eur Urol. 2010;57(1):123-131.
  3. Barkin J, et al. Alpha-blocker therapy can be withdrawn in the majority of men following initial combination therapy with the dual 5α-reductase inhibitor dutasteride (SMART-1). Eur Urol. 2003;44(4):461-466.
  4. Cindolo L, et al. Drug adherence and clinical outcomes for patients under pharmacological therapy for LUTS related to BPH: population-based cohort study. Eur Urol. 2015;68(3):418-425.
  5. Chang DF, Campbell JR. Intraoperative floppy iris syndrome associated with tamsulosin. J Cataract Refract Surg. 2005;31(4):664-673.
  6. Roehrborn CG, et al. Five year results of the prospective randomized controlled prostatic urethral L.I.F.T. study. Can J Urol. 2017;24(3):8802-8813.
  7. Roehrborn CG, et al. Prostatic urethral lift vs. medical therapy: examining the impact on sexual function in men with BPH. Eur Urol Focus. 2021.
  8. European Association of Urology. EAU Guidelines on Management of Non-neurogenic Male LUTS. 2025.

Sobre o autor

Dr. Alexandre Sato é urologista em São Paulo (CRM-SP 146.210 · RQE 61330). Dedica-se às doenças da próstata, com atuação nos tratamentos minimamente invasivos da hiperplasia prostática benigna (UroLift, Rezum e HoLEP), na cirurgia robótica e na terapia focal do câncer de próstata (HIFU).

Na consulta, ele avalia se é o caso de ajustar o remédio, suspendê-lo com segurança ou partir para um procedimento, considerando os sintomas, o tamanho da próstata, a função da bexiga e a vida sexual de cada paciente. Atende na Vila Clementino, em São Paulo.

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Dr. Alexandre Sato

Médico Urologista em São Paulo - SP

Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.


Saiba mais sobre Dr. Alexandre Sato.

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Curriculum Lattes: http://lattes.cnpq.br/6551764447584301

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