Quanto tempo dura o resultado do UroLift? O que dizem os estudos de longo prazo
Resposta rápida: na maioria dos homens, o resultado do UroLift dura anos. No estudo randomizado L.I.F.T., a melhora dos sintomas, da qualidade de vida e do jato se manteve em 5 anos, e cerca de 86% dos pacientes não precisaram de nova cirurgia nesse período. Dados do mundo real mostram que cerca de 11% a 16% precisam de novo tratamento em 4 a 5 anos. Essa taxa é maior que a da RTU e do HoLEP, que retiram tecido. Em troca, o UroLift preserva a ejaculação e tem recuperação mais rápida. O fator que mais pesa na durabilidade é a indicação correta.
Por que a durabilidade é a pergunta certa
O UroLift não retira tecido. Os implantes afastam os lobos da próstata e abrem o canal da urina, mas a próstata continua lá e pode continuar crescendo com os anos.
Isso explica as duas faces do procedimento. Ele é suave, com recuperação rápida e vida sexual preservada. Em compensação, uma parte dos homens volta a ter sintomas com o tempo. A pergunta honesta não é “funciona?”, e sim “por quanto tempo, e para quem?”.
O que mostra o estudo L.I.F.T. em 5 anos
O L.I.F.T. é o principal estudo randomizado do UroLift, com 206 homens, comparado a um procedimento simulado. Em 5 anos:
- sintomas (IPSS): melhora de 36% em relação ao início;
- qualidade de vida: melhora de 50%;
- jato urinário (Qmax): melhora de 44%;
- nova cirurgia: 13,6% em 5 anos, cerca de 2% a 3% ao ano;
- vida sexual: sem casos novos e persistentes de disfunção erétil ou ejaculatória.
Um cuidado na leitura: o L.I.F.T. foi patrocinado pelo fabricante e seguiu pacientes bem selecionados. Por isso, os dados independentes do mundo real também importam.
O que mostram os dados do mundo real
Fora dos estudos controlados, os números são um pouco menos favoráveis, o que é esperado, porque a seleção de pacientes é mais variada:
- Meta-análise com mais de 2.000 pacientes (Miller e colaboradores, 2020): taxa de nova cirurgia de cerca de 6% ao ano, com grande variação entre os estudos.
- Banco de dados TriNetX, 14.343 pacientes (2024): reintervenção de 5,1% em 1 ano e 16,1% em 4 anos, contra 7,5% em 4 anos após a RTU.
- Banco de dados TriNetX, 3.320 pacientes pareados (Lim e colaboradores, 2025): 10,9% em 5 anos com o UroLift, contra 6,8% com o Rezum. O Rezum, por outro lado, teve mais retenção urinária e infecção logo após o procedimento.
Resumo dos estudos de longo prazo
| Estudo | Tipo | Seguimento | Novo tratamento após UroLift |
|---|---|---|---|
| L.I.F.T. (2017) | Randomizado, 206 homens | 5 anos | 13,6% |
| Miller et al. (2020) | Meta-análise, mais de 2.000 pacientes | Variável | Cerca de 6% ao ano |
| TriNetX (2024) | Mundo real, 14.343 pacientes | 4 anos | 16,1% (RTU: 7,5%) |
| Lim et al. (2025) | Mundo real, 3.320 pacientes pareados | 5 anos | 10,9% (Rezum: 6,8%) |
UroLift, RTU e HoLEP: durabilidade e vida sexual
O estudo BPH6 comparou o UroLift diretamente com a RTU. Em 2 anos, a RTU melhorou mais os sintomas e o jato, e o UroLift preservou muito melhor a ejaculação, com recuperação mais rápida.
Esse é o equilíbrio central:
| UroLift | RTU / HoLEP | |
|---|---|---|
| Durabilidade | Boa, com nova intervenção mais frequente | Maior, com nova cirurgia menos frequente |
| Ejaculação | Preservada na maioria | Retrógrada é comum |
| Recuperação | Dias | Semanas |
| Tecido retirado | Nenhum | Sim |
Para muitos homens, preservar a ejaculação e voltar logo à rotina vale a chance maior de precisar de um novo tratamento no futuro. Para outros, a prioridade é resolver de uma vez. As duas escolhas são legítimas, e é isso que se decide na consulta.
Por que os sintomas podem voltar
- A próstata continua crescendo. A hiperplasia é progressiva, e o UroLift não retira o tecido que cresce.
- Lobo mediano. O lobo mediano é uma parte da próstata que cresce para dentro da bexiga. Quando ele obstrui e não é bem tratado, o resultado tende a durar menos. O estudo MedLift mostrou que casos selecionados de lobo mediano podem ser tratados com UroLift, mas a seleção precisa ser cuidadosa.
- Bexiga já enfraquecida. Se a bexiga perdeu força depois de anos de obstrução, desobstruir pode não bastar.
- Próstata grande demais para a técnica. Acima do volume indicado, o resultado é menos previsível.
Quem tende a ter o resultado mais duradouro
- próstata pequena a moderada, dentro do volume indicado para o UroLift;
- ausência de lobo mediano obstrutivo, ou lobo mediano selecionado para a técnica;
- bexiga que ainda esvazia bem, com pouco resíduo de urina;
- tratamento antes de a obstrução danificar a bexiga.
Análises apresentadas pelo fabricante sugerem que homens tratados mais cedo, com sintomas menos avançados, mantêm o resultado por mais tempo. A hipótese faz sentido clínico, mas deve ser lida com a cautela de dados da indústria.
E se o UroLift deixar de funcionar?
O UroLift não fecha portas. Se os sintomas voltarem, as opções incluem novos implantes, Rezum, RTU ou HoLEP, conforme o tamanho e o formato da próstata naquele momento. Os implantes são permanentes e não impedem cirurgias futuras.
Acompanhamento depois do UroLift
Consultas periódicas ajudam a perceber cedo qualquer piora. Elas costumam incluir:
- escore de sintomas (IPSS);
- medida do jato (urofluxometria);
- resíduo de urina na bexiga;
- PSA, conforme a idade e o histórico.
Perguntas frequentes
Quanto tempo dura o resultado do UroLift?
Na maioria dos homens, anos. No L.I.F.T., a melhora se manteve em 5 anos, e cerca de 86% não precisaram de nova cirurgia.
Quantos precisam de novo tratamento?
13,6% em 5 anos no L.I.F.T. Em grandes bancos de dados do mundo real, cerca de 11% em 5 anos e 16% em 4 anos.
O UroLift dura menos que a RTU?
Sim. A RTU e o HoLEP têm menor taxa de nova cirurgia, mas costumam causar ejaculação retrógrada e têm recuperação mais longa.
Os implantes perdem o efeito?
Os implantes são permanentes. A volta dos sintomas costuma ser causada pelo crescimento da próstata, por um lobo mediano ou por uma bexiga enfraquecida.
Se não funcionar, ainda posso operar?
Sim. O UroLift não impede novos implantes, Rezum, RTU ou HoLEP.
Quem tem resultado mais duradouro?
Homens com próstata pequena a moderada, sem lobo mediano obstrutivo e com bexiga que esvazia bem.
Preciso de acompanhamento?
Sim. As consultas periódicas avaliam os sintomas, o jato, o resíduo de urina e o PSA.
Referências
- Roehrborn CG, et al. Five year results of the prospective randomized controlled prostatic urethral L.I.F.T. study. Can J Urol. 2017;24(3):8802-8813.
- Gratzke C, et al. Prostatic urethral lift vs transurethral resection of the prostate: 2-year results of the BPH6 prospective, multicentre, randomized study. BJU Int. 2017;119(5):767-775.
- Miller LE, Chughtai B, Dornbier RA, McVary KT. Surgical reintervention rate after prostatic urethral lift: systematic review and meta-analysis involving over 2,000 patients. J Urol. 2020;204(5):1019-1026.
- Incidence of surgical reintervention for benign prostatic hyperplasia following prostatic urethral lift, transurethral resection of the prostate, and photoselective vaporization of the prostate: a TriNetX analysis. Eur Urol Open Sci. 2024.
- Lim CY, Lai CC, Tsai YW. Comparison of durability between Rezum water vapor therapy and UroLift in treating benign prostatic hyperplasia: a multicenter propensity score-matched analysis. Cureus. 2025;17(3):e80914.
- Rukstalis D, et al. Prostatic urethral lift (PUL) for obstructive median lobes: 12 month results of the MedLift Study. Prostate Cancer Prostatic Dis. 2019;22(3):411-419.
Sobre o autor
Dr. Alexandre Sato é urologista em São Paulo (CRM-SP 146.210 · RQE 61330). Dedica-se às doenças da próstata, com atuação nos tratamentos minimamente invasivos da hiperplasia prostática benigna (UroLift, Rezum e HoLEP), na cirurgia robótica e na terapia focal do câncer de próstata (HIFU).
Na consulta, ele discute com cada paciente o que os estudos mostram sobre durabilidade, vida sexual e recuperação de cada opção, para que a escolha combine com as prioridades de cada homem. Atende na Vila Clementino, em São Paulo.
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Dr. Alexandre Sato
Médico Urologista em São Paulo - SP
Dr. Alexandre Sato é médico urologista, com formação na Santa Casa de São Paulo e Fellowships em Cálculos Renais e Oncologia Urológica, incluindo Cirurgia Robótica na Duke University. Certificado pela Intuitive para Cirurgia Robótica e Proctor nessa área, ele atua em sua clínica privada e nos melhores hospitais de São Paulo - SP. Membro de sociedades urológicas e revisor do Brazilian Journal of Urology, Dr. Alexandre Sato é comprometido com a excelência e constante atualização na área.
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